FBI revela detalhes de plano para atacar a Casa Branca durante evento do UFC

Em meio ao reforço das medidas de segurança para grandes eventos públicos nos Estados Unidos, uma operação conduzida pelas autoridades federais revelou que um ataque terrorista de grandes proporções teria sido evitado poucos dias antes de sua execução. A ação, que envolveu investigações em diferentes estados, expôs um suposto plano articulado para transformar um evento do UFC realizado na Casa Branca em palco de um atentado com drones, atiradores e invasão ao complexo presidencial.

O caso veio a público após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) confirmar, na terça-feira (16), que o FBI prendeu cinco homens acusados de integrar a conspiração. Segundo os investigadores, o grupo pretendia provocar uma ação coordenada para atingir autoridades e outras personalidades presentes no evento realizado no último domingo (14).

Operação impediu ataque antes do evento

De acordo com o Departamento de Justiça, o plano previa o uso de drones carregados com explosivos para atacar edifícios próximos ao local do evento. O objetivo era gerar pânico entre o público e direcionar a multidão para áreas previamente ocupadas por atiradores posicionados estrategicamente. Na sequência, uma segunda equipe de integrantes avançaria contra os portões da Casa Branca, ampliando o alcance da ofensiva.

O diretor do FBI, Kash Patel, afirmou nas redes sociais que as ações dos suspeitos foram completamente neutralizadas durante uma operação realizada em diversos estados norte-americanos. “As supostas ações planejadas foram completamente neutralizadas”, escreveu Patel.

Prisões ocorreram em quatro estados

Os presos foram identificados como Tycen C. Proper, de 19 anos, detido em Ohio; Bryan Omar Roa, de 24 anos; Michael Alan Thomas, de 32 anos, ambos da Califórnia; Daniel K. Eskridge, de 32 anos, do Missouri; e Abraham Hermosillo Alvarez, de 31 anos, de Nebraska.

Todos respondem por conspiração para cometer homicídio, acusação que pode resultar em prisão perpétua e multa de até US$ 250 mil caso sejam condenados. Além dessa acusação, Proper também responderá por outras três infrações, incluindo conspiração para praticar atos violentos nas dependências da Casa Branca. A audiência preliminar dele foi marcada para 29 de junho.

Autoridades e empresários estavam entre os possíveis alvos

Segundo documentos anexados ao processo, os investigadores identificaram uma lista de possíveis alvos considerados de “alto valor”. Entre eles estariam o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o empresário Elon Musk e diversos políticos norte-americanos, embora nem todos participassem do evento.

Os promotores afirmam que a intenção do grupo era iniciar uma revolução por meio do assassinato de lideranças políticas e pessoas influentes presentes na programação do UFC.

Investigação comecou após alerta da mãe de um dos suspeitos

As investigações tiveram início em 10 de junho, quando a mãe de Tycen Proper procurou as autoridades locais demonstrando preocupação com o comportamento do filho. Ela relatou compras recentes de armas de grande porte e conversas mantidas por ele em plataformas digitais com integrantes de um grupo que se apresentava como formado por ex-militares e pessoas de orientação cristã.

Durante interrogatório realizado em 11 de junho, Proper admitiu ter participado do planejamento do atentado.

Tiktok e signal eram usados para recrutar integrantes

Segundo os autos, os envolvidos começaram a manter contato por volta de março por meio de um grupo criado no TikTok chamado “Vanguard of the Old”, também citado em alguns documentos como “Vanguard of the Old Republic”. Após o recrutamento, os participantes migravam para o aplicativo de mensagens criptografadas Signal.

O núcleo principal reunia cerca de 19 integrantes, além de grupos menores organizados conforme funções específicas e localização geográfica. Ainda não há confirmação de que a organização mantenha ligação com algum movimento extremista já conhecido.

Estrutura previa diferentes níveis de atuação

A investigação aponta que Michael Alan Thomas elaborou uma estrutura dividida em quatro níveis. O primeiro seria composto por integrantes dispostos a assumir os maiores riscos e até morrer durante a ação. Os níveis seguintes reuniriam colaboradores com diferentes responsabilidades, enquanto o quarto seria formado por financiadores, influenciadores e apoiadores.

Segundo os investigadores, Abraham Hermosillo Alvarez coordenava o planejamento geral da operação e trabalhava diretamente na utilização dos drones que seriam empregados durante o atentado.

Armas e mapas com posições estratégicas foram apreendidos

Os documentos judiciais revelam que os suspeitos compartilharam mapas de Washington indicando locais destinados ao posicionamento de atiradores, pontos de lançamento dos drones e até redes elétricas consideradas possíveis alvos. Também foram anexadas imagens publicadas nas redes sociais mostrando equipamentos táticos, armamentos e materiais utilizados pelo grupo.

Conversas recuperadas pelas autoridades indicam ainda discussões sobre o assassinato de parlamentares norte-americanos e executivos de grandes empresas. Em um dos diálogos, Daniel Eskridge descreve um dos possíveis alvos como uma pessoa “importante e conhecida pela maioria do país”.

Grupo dizia querer reconstruir os Estados Unidos

Conforme o FBI, os integrantes afirmavam acreditar que os Estados Unidos estavam seguindo um caminho errado. Um documento da investigação registra que eles defendiam a destruição do país para que pudesse ser reconstruído sob uma nova estrutura política.

Os investigados também demonstravam insatisfação com temas como corrupção governamental, a condução das investigações envolvendo Jeffrey Epstein, o consumo de água por centros de dados e outras decisões do governo norte-americano.

Apesar de admitir participação no planejamento, Proper declarou que não pretendia atirar contra pessoas durante o evento. No entanto, segundo ele, “vários outros integrantes do grupo estavam determinados a usar violência”, conforme registra a denúncia.

Evento reuniu milhares de pessoas na casa branca

O torneio do UFC foi realizado no gramado sul da Casa Branca como parte das celebrações pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos. A estrutura montada ao ar livre, conhecida como “The Claw”, recebeu aproximadamente 4.300 convidados, enquanto cerca de 85 mil pessoas acompanharam as lutas nas áreas próximas.

O evento também coincidiu com o aniversário de 80 anos de Donald Trump e ocorreu poucas semanas após outros episódios de violência registrados nas proximidades da residência oficial do presidente.

Autoridades mantêm investigação sob sigilo

Em entrevista coletiva, o vice-diretor do Serviço Secreto, Matt Quinn, classificou o episódio como uma ameaça grave, mas evitou comentar detalhes em razão do andamento das investigações. Ele também criticou o vazamento de informações sobre a operação antes da conclusão das diligências, afirmando que a prioridade era preservar a integridade do plano de segurança.

“Aprendi uma expressão no início da minha carreira em Nova York: ‘Não se engasgue com a própria fumaça'”, disse Quinn, explicando que o silêncio fazia parte da estratégia de segurança. “Para preservar a integridade da investigação e do plano de segurança, escolhemos não divulgar informações antes da hora.”.

Questionado durante a cúpula do G7, na França, Donald Trump afirmou que ainda não havia sido informado sobre o suposto atentado: “Não ouvi falar sobre isso.”

Violência política preocupa especialistas

Para a professora Erica Frantz, da Universidade Estadual de Michigan, o aumento da violência política nos Estados Unidos reflete um fenômeno que tende a se retroalimentar, já que episódios desse tipo costumam estimular novas ações extremistas. “Sempre haverá pessoas insatisfeitas que defendem teorias conspiratórias e visões extremistas que, juntas, não fazem muito sentido”, observou.

Dados do National Consortium for the Study of Terrorism and Responses to Terrorism (START) indicam que os ataques direcionados a alvos específicos cresceram mais de 30% entre 2024 e 2025 no país.

Segundo a pesquisadora, mais preocupante do que a motivação individual dos envolvidos são os fatores sociais que têm levado um número crescente de pessoas a aderir a discursos conspiratórios e posições cada vez mais radicais. “Preocupo-me menos com a motivação específica e mais com as forças sociais que estão empurrando as pessoas para posições cada vez mais radicais.”

Fonte: dol e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 17/06/2026/10:43:47

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