Estudo de Belo Monte transforma desafio geotécnico em referência para a segurança de barragens

Um estudo desenvolvido a partir de cinco anos de observações de campo na Usina Hidrelétrica Belo Monte foi apresentado durante a Damsweek – Semana de Barragens 2026, realizada em Belém (PA). O trabalho analisa a ocorrência de canalículos nas fundações de diques e barragens e apresenta estratégias utilizadas para o diagnóstico, monitoramento e controle do fenômeno.
O artigo, intitulado “UHE Belo Monte – canalículos nas fundações de diques e barragens: desafios na etapa de operação”, foi apresentado pela Norte Energia durante o evento, organizado pelo Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), que terminou no sábado (26).
Os canalículos são pequenos canais naturais que podem se formar no interior do solo e funcionar como caminhos preferenciais para a circulação da água. Segundo o estudo, a análise de 15 intervenções realizadas entre 2020 e 2025 permitiu identificar que determinadas surgências — pontos onde a água subterrânea chega à superfície — podem estar relacionadas a sistemas hidráulicos mais complexos no subsolo.
A investigação não se limitou à observação dos pontos onde a água emerge. Os pesquisadores também analisaram o percurso dos fluxos subterrâneos, a interação entre diferentes camadas de solo e a presença de canalículos.
A partir dessas observações, foram aprimorados critérios utilizados no diagnóstico, no monitoramento e nas intervenções, com foco na prevenção e no gerenciamento de riscos geotécnicos.
O estudo destaca que a ocorrência de canalículos não é exclusiva da Usina Belo Monte. O fenômeno é conhecido pela engenharia geotécnica e pode ocorrer em fundações construídas sobre solos tropicais residuais, presentes em diferentes áreas da Amazônia e da Região Norte.
Soluções para controlar a água no subsolo
Entre as soluções utilizadas estão as trincheiras drenantes, estruturas destinadas a controlar os fluxos subterrâneos. A técnica permite reduzir a pressão da água nos espaços existentes entre as partículas do solo, conhecida como poropressão.
De acordo com o estudo, a utilização dessas estruturas também possibilitou reduzir a quantidade de materiais empregados nas intervenções quando comparada a soluções convencionais.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que a ausência de turbidez visível na água não significa necessariamente que não estejam ocorrendo mudanças no interior do solo. Por isso, o acompanhamento contínuo das estruturas e a análise conjunta das informações obtidas em campo são apontados como medidas importantes.
Livro reúne histórico e informações sobre Belo Monte
Durante a Damsweek 2026, a Norte Energia também participou do lançamento do livro “Principais Barragens Brasileiras IV (Main Brazilian Dams IV) – UHE Belo Monte: projeto, construção e desempenho”.
Publicada pelo Comitê Brasileiro de Barragens em português e inglês, a obra reúne informações sobre a Usina Belo Monte desde os estudos iniciais até a fase de operação.
A publicação aborda diferentes aspectos do empreendimento, incluindo engenharia, sustentabilidade, equipamentos eletromecânicos, segurança de barragens e gestão socioambiental.
A programação da Semana de Barragens também contou com uma visita técnica à Usina Belo Monte. Especialistas e representantes do setor puderam conhecer estruturas do empreendimento, soluções de engenharia e procedimentos relacionados ao monitoramento da usina.
Fonte : Norte Energia e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 28/09/2026/14:08:11
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