Escondida por 1.600 anos: Cidade perdida intacta é descoberta sob o deserto do Egito

O Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito anunciou nesta segunda-feira (6) duas descobertas arqueológicas de grande impacto científico. A principal delas é uma cidade perdida de 1.600 anos, incrivelmente preservada sob as areias do Deserto Ocidental, no Oásis de Dakhla (província de Novo Vale).
O assentamento data do século IV d.C., período em que o Egito estava sob o domínio do Império Bizantino. A preservação do local impressionou os arqueólogos: as estruturas foram encontradas com casas de tetos abobadados, cozinhas, fornos de pão e moinhos de pedra praticamente intactos, oferecendo um retrato vívido e inédito do cotidiano da época.
O local já integra a Lista Indicativa da UNESCO e está em vias de ser declarado Patrimônio Mundial da Humanidade.
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Uma comunidade fortificada e funcional
De acordo com Mahmoud Massoud, Diretor Geral de Antiguidades de Dakhla e chefe da missão de escavação, a cidade apresenta um planejamento urbano simétrico e sofisticado. Ruas largas que correm no sentido norte-sul cruzam com vias leste-oeste, desaguando em praças públicas.
Para a proteção dos moradores contra tempestades e invasores, o perímetro contava com duas grandes torres de vigia e um edifício central fortemente fortificado. Bem no coração do assentamento, ergue-se uma igreja basílica, que funcionava como o centro religioso e social da comunidade.
[Torre de Vigia] ─── Subúrbios Residenciais ─── [Torre de Vigia]
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Ruas Planejadas (Norte-Sul)
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Praças Públicas ── IGREJA BASÍLICA ── Comércio e Moinhos
Cartas, moedas e economia local
As escavações também trouxeram à tona a dinâmica financeira do oásis. Foram recuperadas moedas de bronze com rostos de imperadores bizantinos e raras moedas de ouro do reinado do imperador romano Constâncio II (que governou entre 337 e 361 d.C.).
Além do dinheiro, o achado documental mais celebrado pela equipe liderada por Diaa Zahran, chefe do Setor de Antiguidades Islâmicas, Coptas e Judaicas, foi uma coleção de quase 200 óstracos, fragmentos de cerâmica usados como suporte para escrita. Registrados em copta e grego antigo, os textos contêm:
- Notas fiscais e transações comerciais de mercadorias;
- Correspondências e cartas pessoais trocadas entre moradores;
- Registros de estoques de óleos, grãos e perfumes finos.
Segunda descoberta: Tumbas e “línguas de ouro”
Em paralelo ao anúncio do oásis, o governo egípcio revelou o sucesso de outra escavação realizada em Marina el-Alamein, a cerca de 96 quilômetros a oeste de Alexandria, na costa mediterrânea.
Lá, os arqueólogos desenterraram 18 tumbas antigas, incluindo um colossal sarcófago de granito com 2,4 metros de comprimento contendo restos humanos, e uma estátua danificada de uma esfinge de gesso.
O detalhe que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a presença de finas folhas de ouro colocadas dentro da boca de vários corpos. Esta prática funerária místico-religiosa, comum nos períodos grego e romano tardios, era conhecida como a tradição da “língua de ouro”.
Acreditava-se que o metal precioso garantia ao falecido a capacidade de falar e se comunicar livremente com as divindades perante o tribunal do submundo na vida após a morte.
Contexto Histórico: O Egito Bizantino
Apesar de o imaginário popular associar o Egito quase que exclusivamente aos faraós e pirâmides, o país viveu mais de dois séculos sob a égide do Império Bizantino (Império Romano do Oriente), a partir de 395 d.C.
Nesta era, Alexandria e os oásis do deserto tornaram-se rotas comerciais ricas e estratégicas para o envio de grãos a Constantinopla. Foi também o momento em que o Cristianismo Copta se consolidou no território, transformando drasticamente a paisagem cultural e arquitetônica do país até a conquista árabe em 641 d.C., quando cidades como a do Oásis de Dakhla foram engolidas pelo deserto.
Fonte: DIARIO DO PARÁ e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 08/07/2026/17:19:41
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