Entenda como a alta dos combustíveis atinge até quem não tem carro

Os preços dos combustíveis no Pará seguem pressionando o orçamento das famílias e o funcionamento da economia. Levantamentos recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), mostram que os valores dispararam em pouco mais de um mês, com aumentos que chegaram perto de 30%, especialmente no caso do diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e mercadorias.
Segundo o supervisor técnico do Dieese no Pará, Everson Costa, a elevação dos preços não afeta apenas quem dirige, mas toda a rotina econômica e social da região.
“O levantamento de preço de combustíveis chama a atenção primeiro pela elevação desses valores, que são fundamentais para o deslocamento, para o transporte de cargas, para trabalhadores de aplicativo e para a rotina diária não só do paraense, mas do amazônida”, afirmou.
De acordo com o estudo, em Belém, a gasolina comum passou de R$ 5,93 para R$ 6,94 por litro, registrando aumento nominal de R$ 1,01 e variação de 17,0% em pouco mais de um mês. Já o diesel S10 apresentou a maior elevação, saindo de R$ 6,06 para R$ 7,87, o que representa aumento de R$ 1,81 por litro e variação expressiva de 29,9%. O etanol também registrou crescimento, passando de R$ 4,85 para R$ 5,20, com alta de 7,2% no período.
Reajuste atinge até quem não dirige
Para o economista, essas elevações superam a capacidade de reação financeira da população.
“Essas elevações estão acima da inflação e acima do poder aquisitivo da população. Elas acabam formando preços de bens, produtos e serviços e elevam o custo de vida”, destacou.
Alta dos combustíveis impacta toda a economia, já que pressiona pela subida dos custos mais básicos do dia a dia. Foto: reprodução
O especialista também relaciona o aumento dos combustíveis ao cenário internacional. Segundo ele, conflitos e instabilidade global impactam diretamente o mercado brasileiro e, consequentemente, o bolso do consumidor. “A partir do início do conflito no Oriente Médio, os consumidores começaram a perceber uma forte elevação desses preços em todo o Brasil e, em especial, no Pará”, explicou.
Mesmo com a recente queda observada em alguns postos da capital, os preços ainda permanecem elevados. Levantamento da ANP, realizado entre os dias 12 e 18 de abril, mostra que a gasolina comum em Belém apresentou preço médio de R$ 6,83, com valor mínimo de R$ 6,56 e máximo de R$ 6,99. O dado indica que o combustível saiu da chamada “casa dos R$ 7”, mas não representa uma redução estrutural nos custos.
Já o diesel S10 continua sendo o principal fator de pressão econômica. A pesquisa identificou preço médio de R$ 7,70, com mínimo de R$ 7,15 e máximo de R$ 7,69. Esse combustível movimenta praticamente toda a cadeia logística. Por isso, qualquer aumento impacta diretamente o preço dos alimentos e produtos básicos.
Preço dispara e gasolina chega a R$ 8 no interior
Outro fator que chama atenção é a grande diferença de preços entre municípios do estado. O levantamento mostra que o valor do mesmo combustível pode variar até 30%, dependendo da região. No caso do etanol, por exemplo, o litro pode custar cerca de R$ 4,61 em Belém e chegar a quase R$ 6 em municípios como Altamira, diferença de aproximadamente R$ 1,35 por litro.
“Não se trata apenas de centavos ou poucos reais. Existem diferenças percentuais que chegam a 30% entre quem vende mais caro e mais barato”, afirmou o supervisor técnico do Dieese.
A gasolina também apresenta variações expressivas. Em alguns municípios paraenses, o litro chega perto de R$ 8, enquanto em outros fica abaixo de R$ 6,50, o que representa diferença de até 25%. No caso do diesel, a variação pode ultrapassar R$ 2 por litro, com valores próximos de R$ 8,80 em determinadas regiões.
Segundo o economista, parte dessa diferença se explica por fatores logísticos, como distância e custo do transporte. No entanto, ele alerta para a necessidade de fiscalização mais rigorosa para evitar práticas abusivas.
“Há de se reconhecer a distância, o custo do frete e as dificuldades logísticas. Mas também há de se estranhar diferenças tão elevadas. Aqui cabe, sim, a necessidade de fiscalização e de um olhar mais criterioso sobre a comercialização desses combustíveis”, afirmou.
Gás chega a R$ 130 e pressiona famílias
Além dos combustíveis líquidos, o gás de cozinha continua pressionando o orçamento das famílias. O levantamento identificou preço médio de R$ 122,49, com mínimo de R$ 115 e máximo de R$ 130 em pontos de venda na capital. O valor mais alto registrado reforça a preocupação social, principalmente entre famílias de baixa renda.
Pesquisa da ANP identificou botijão de gás sendo vendido por até R$ 134 no Pará, valor que pressiona o orçamento doméstico. Foto: divulgação/reprodução
Na avaliação do especialista, o impacto dos combustíveis vai muito além do abastecimento de veículos. Ele afeta diretamente a renda, o consumo e a qualidade de vida da população.
“O consumidor é prejudicado de diversas formas. Primeiro porque o custo de vida se eleva. Segundo porque quem depende do combustível para trabalhar ou gerar renda passa a pagar mais caro. E, em alguns casos, ainda existe preocupação com a qualidade do produto”, alertou.
Na prática, os dados confirmam um cenário de pressão econômica persistente no Pará. Mesmo com pequenas quedas pontuais, os combustíveis continuam caros e influenciam diretamente o preço dos alimentos, do transporte e dos serviços. Portanto, a dica é: monitoramento constante e fiscalização rigorosa para proteger o consumidor e garantir equilíbrio no mercado.
Fonte: Diario do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 24/04/2026/13:21:04
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