Digimais: Igreja Universal, de Edir Macedo, tem frota de 5 aeronaves avaliada em R$ 178 milhões

Igreja Universal do Reino de Deus possui frota de cinco aeronaves (três jatos e dois helicópteros) avaliada em R$ 178 milhões.
A frota foi revelada após o bispo Edir Macedo ser alvo da Operação Miragem, investigação da PF sobre supostas fraudes ao Banco Digimais.
Justiça Federal determinou bloqueio de bens dos investigados em até R$ 670,3 milhões; Macedo não foi localizado por residir no exterior.
O avião mais caro é um Bombardier BD‑700‑1A10, adquirido por R$ 75,6 milhões; os demais incluem Embraer EMB‑505, Dassault Falcon 2000EX e helicópteros Bell 430 e 429.
A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é proprietária de uma frota de cinco aeronaves avaliada em R$ 178 milhões, composta por três jatos e dois helicópteros adquiridos ao longo dos últimos anos. O patrimônio veio à tona após seu fundador, o bispo Edir Macedo, tornar-se alvo da Polícia Federal na Operação Miragem, deflagrada para investigar suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional ligado ao Banco Digimais.
A Justiça Federal determinou bloqueio de bens de até R$ 670,3 milhões dos investigados. Macedo não foi alcançado pelos mandados de busca e apreensão porque reside no exterior.
A frota milionária da Igreja Universal
A IURD possui cinco aeronaves registradas: três jatos e dois helicópteros, com valor total estimado em R$ 178 milhões. A peça mais cara da frota é um Bombardier BD-700-1A10, bimotor executivo de alta performance e alcance intercontinental, importado dos Estados Unidos pela entidade por R$ 75,6 milhões. Os demais jatos são um Embraer EMB-505, avaliado em R$ 16,5 milhões, e um Dassault Aviation Falcon 2000EX, registrado por R$ 31 milhões. Os dois helicópteros da frota são modelos Bell Helicopter: o 430, avaliado em R$ 4 milhões, e o 429, cujo valor chega a R$ 50,9 milhões.
Além das cinco aeronaves já registradas, a IURD possui duas reservas de marcas, que representam o passo inicial antes do registro formal de uma nova aeronave. Na prática, isso indica que a frota pode crescer nos próximos anos. O conjunto de bens aéreos evidencia a dimensão do patrimônio acumulado pelo grupo econômico ligado a Edir Macedo, cuja magnitude só agora começa a ser mapeada com mais detalhe pelas autoridades.
A investigação da Polícia Federal contra Edir Macedo
Segundo apuração de A Tarde e Metrópoles, Edir Macedo é investigado na Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional no âmbito da gestão do Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo líder religioso. A operação foi deflagrada na última terça-feira, dia 23. A Justiça Federal autorizou mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões.
De acordo com A Tarde e Metrópoles, Macedo não foi alvo direto dos mandados de busca e apreensão porque reside no exterior, segundo informou a própria PF. A ausência do fundador do país não interrompeu as diligências: as medidas judiciais alcançaram outros investigados e bens associados ao grupo. A operação representa um dos movimentos mais significativos das autoridades brasileiras contra o patrimônio e as operações financeiras ligadas à IURD e a seu fundador.
O patrimônio da IURD e as implicações
A posse de uma frota aérea avaliada em R$ 178 milhões por uma entidade religiosa coloca em evidência uma contradição estrutural do modelo tributário brasileiro. Igrejas e templos de qualquer culto são imunes a impostos sobre patrimônio, renda e serviços, conforme a Constituição Federal. Essa proteção, pensada para garantir a liberdade religiosa, também abre espaço para o acúmulo de bens de alto valor sem a fiscalização que incide sobre empresas e pessoas físicas. Não há obrigação legal de transparência pública sobre a origem e o destino dos recursos captados por meio de dízimos e doações.
A investigação da PF sobre suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Digimais, controlado por Macedo, acrescenta uma camada de urgência a esse debate. Se confirmadas as irregularidades apuradas na Operação Miragem, a questão deixa de ser apenas sobre os limites da isenção tributária e passa a envolver a responsabilidade penal na gestão de recursos de uma instituição que movimenta bilhões de reais. A existência de reservas de marcas para novas aeronaves, somada ao bloqueio judicial de até R$ 670,3 milhões, reforça a percepção de que o tamanho real do patrimônio ainda está sendo dimensionado. O caso da IURD torna concreto um debate que o Brasil adia há décadas: como garantir que privilégios constitucionais concedidos a instituições religiosas não sirvam de escudo para a opacidade financeira.
Fonte: revistaforum e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 29/06/2026/08:09:54
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