Desmatamento cai 20% em todos os biomas brasileiros e alertas na Amazônia registram menor volume da década, mostram dados do Inpe

Os alertas para desmatamento na Amazônia registraram o menor volume na década neste ano, com redução de 36% mostram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira. O desmatamento também caiu em todos os biomas brasileiros em 20% nos dados mais atualizados, referentes ao ciclo que se encerrou em 2025.

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As informações foram divulgadas em cerimônia realizada na cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo, em evento que celebrou os 65 anos do Inpe e contou com a presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) e de outras autoridades.

Os números são referentes a dois sistemas de monitoramento, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que mede os alertas de desmatamento, e o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que contabiliza o resultado consolidado de desmatamento, e são referentes a períodos distintos.

Para Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, o resultado alcançado demonstra que o cumprimento futuro de uma meta de desmatamento zero não é um cenário utópico, mas sim uma questão de trabalho e de vontade política. O pesquisador avalia que a diminuição da devastação mostra um avanço do combate ao crime ambiental e fecha um ciclo de quatro anos do governo Lula de reestruturação de políticas públicas.

— O resultado do Brasil nesses quatro anos prova que as teorias de que a proteção do meio ambiente impede o país de se desenvolver são falsas — pontua Astrini, que completa: — O desmatamento ainda não zerou e a floresta ainda corre muito risco, quando olhamos para o tamanho da agenda de destruição ambiental sendo votada no Congresso Nacional.

Os alertas de desmatamento, Deter

O resultado da Amazônia vem do Deter e se refere ao período de agosto de 2025 a julho de 2026. As áreas sob alerta de desmatamento nesse bioma registraram uma diminuição de 36%, atingindo cerca de 2.870 quilômetros quadrados, o menor valor da série história desse sistema, desde 2016.

No período, os estados amazônicos que registraram os maiores volumes de alertas foram registrados no Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²). No período, o Pará apresentou redução de 25,5%, e o Mato Grosso reduziu em 49%. No Amazonas a queda foi de 46,7%, no Acre, 35,3% e em Rondônia, 41,2%. Em Roraima, no entanto, os alertas aumentaram em 32,5%.

Desmatamento geral, Prodes

Os dados do Prodes apontam uma redução acumulada de 20% no desmatamento em todos os biomas brasileiros nos dados consolidados referentes ao período de agosto de 2024 a julho de 2025. O Pantanal registrou a queda mais acentuada, com 65%, acumulando 291 quilômetros quadrados de desmatamento.

No Pampa também houve uma queda brusca, de 41%, registrando 305 quilômetros quadrados de desmate, o menor valor desde 2016.

O Cerrado, desde 2023, registra o maior volume total de desmatamento em área do país. O bioma segue sendo o mais devastado, mas registrou uma queda de 11,5% no índice, com 7.235 quilômetros quadrados. Segundo o Ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o desmatamento no Cerrado é concentrado em uma área.

— A região mais impactada é o Matopiba (estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), são os estados que compõem aquele conjunto mais recente de preocupação, é lá exatamente que se concentra o (desmatamento do) Cerrado — disse Capobianco.

Veja a seguir os números para todos os biomas no Prodes (2024-2025):

Cerrado – 7.235 quilômetros quadrados (redução de 11,5%)
Amazônia – 5.111 quilômetros quadrados (redução de 15,8%)
Caatinga – 2.289 quilômetros quadrados (redução de 34%)
Mata Atlântica – 402 quilômetros quadrados (redução de 15%)
Pampa – 305 quilômetros quadrados (redução de 41%)

Tarifas dos EUA

Durante o evento, Lula chamou atenção para os dados, relacionando os números com as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. O presidente rebateu a justificativa de imposição das taxas dos EUA com base no desmatamento, já que os dados do Inpe mostram uma queda no problema.

— Nós assumimos um compromisso que ninguém pediu para a gente assumir. Foi um compromisso desaforado nosso de que é possível a gente chegar a desmatamento zero até 2030 (…) O argumento da nossa tarifa (imposta pelos EUA) não é verdadeiro outra vez. Ele diz que está colocando tarifa no Brasil, porque o Brasil não cuida do desmatamento — disse Lula.

Ele também criticou o secretário de estado americano, Marco Rubio, a quem chamou de “latino americano frustrado”.

Saldo do governo Lula

Nos quatro anos do terceiro mandato de Lula no Planalto, a área sob alerta na Amazônia somou 19.642 km². Houve uma queda de 41% em relação ao período entre 2019 e 2022. Quando Jair Bolsonaro esteve na Presidência, o país registrou 33,4 mil km² — área pouco maior que toda a extensão da Bélgica.

A ONG Observatório do Clima destaca que a redução do desmatamento tem ainda um “efeito importante” em tempos de El Niño. Com a menor derrubada da floresta, há menos material combustível para pegar fogo. O cenário reduz as chances de ocorrência de grandes incêndios florestais como os de 2023 e 2024.

Fonte: globo e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 08/08/2026/08:15:49

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