Dentista suspeita de deformar pacientes mandou mensagem pedindo ajuda durante procedimento em clínica

“A minha dúvida é se eu libero essa região aqui, ou eu só faço indo aqui até perto da comissura e faço daqui da mandíbula para baixo, ou eu posso fazer em volta toda a região?”, questionou.

Conforme apurado pela TV Anhanguera, a dentista enviou o vídeo enquanto uma paciente estava com a pele cortada e exposta. A polícia investiga a identidade da pessoa que Valéria entrava em contato pelo celular durante os procedimentos.

“Ela teria se desentendido do que fazer na situação e teria entrado em contato com uma terceira pessoa via celular durante a prática da cirurgia”, afirmou o delegado responsável pelo caso, Wladimir Freire, em entrevista à TV Anhanguera.

A advogada Caroline Bittar informou que deixou a defesa da profissional após representá-la durante a prisão, na quinta-feira (28). A nova defesa de Valéria não foi localizada até a última atualização desta reportagem.

Em nota, o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que a suspeita possui registro ativo e que acompanha com atenção os desdobramentos do caso. Além disso, destacou que os procedimentos estéticos e cirúrgicos no rosto, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista na área.

Valéria foi presa na quinta-feira (29) e permaneceu em silêncio durante o primeiro depoimento. A investigação faz parte da Operação Protocolo de Risco, iniciada em 2024, embora, segundo a Polícia Civil, existam relatos de vítimas desde 2023.

Além da dentista, uma funcionária da clínica também foi presa em flagrante por tentar esconder produtos e objetos de interesse da investigação, conforme informou o delegado.

De acordo com as investigações, Valéria realizava procedimentos invasivos dentro da própria clínica, em um ambiente considerado inadequado para cirurgias de alta complexidade.

Entre os procedimentos feitos pela dentista estão rinoplastia, bichectomia, lipoaspiração de papada e cirurgias bucomaxilofaciais. A polícia informou que Valéria não possuía autorização para realizar os procedimentos mais invasivos na época em que eles foram feitos.

Segundo apuração da TV Anhanguera, o número de pacientes que relatam terem sido vítimas da profissional subiu de sete para 11. Conforme a Polícia Civil, os pacientes apresentaram complicações como infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas graves.

Durante a operação, além da prisão da dentista e da interdição da clínica, foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários e equipamentos. A polícia também solicitou o bloqueio de R$ 600 mil para garantir um possível ressarcimento às vítimas.

Nota do CRO-GO

“O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informa que tomou conhecimento, por meio de notícias veiculadas pela imprensa, da operação deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, nesta quinta-feira (28/05). A profissional em questão possui registro ativo no CROGO.

Por outro lado, os procedimentos estéticos e cirúrgicos na face (ex.: lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia, blefaroplastia etc.) só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF), conforme exige a Resolução CFO 286/2026, sob pena de responsabilização.

O CROGO reforça seu compromisso com a fiscalização do exercício ético e legal da Odontologia, com a segurança da população e com a valorização dos profissionais que atuam dentro dos limites técnicos e científicos estabelecidos pelas normas da profissão.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 30/05/2026/07:29:00

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