Corregedoria afasta três membros do Ministério Público do Pará por suspeita de crimes

Uma reviravolta nos bastidores do Poder Judiciário paraense colocou integrantes do próprio sistema de fiscalização da lei sob os holofotes da justiça. A Corregedoria Nacional do Ministério Público determinou a abertura de Processos Administrativos Disciplinares e o afastamento imediato, por 120 dias, de dois promotores e um procurador de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará.

A medida drástica, oficializada na sexta-feira (3), foi tomada após o compartilhamento de provas colhidas pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, que apontam o suposto envolvimento do trio em uma série de esquemas ilícitos.

O peso das acusações varia de acordo com o papel de cada investigado. No caso dos dois promotores, as apurações apontam para quebras graves de conduta funcional ligadas a crimes complexos como lavagem de dinheiro, corrupção passiva, associação criminosa e advocacia administrativa qualificada, que ocorre quando o servidor público usa seu cargo para defender interesses privados dentro da administração.

Já o procurador de Justiça é investigado por suspeita de tráfico de influência e advocacia administrativa, além de falhas diretas no cumprimento de suas obrigações diárias com a instituição.

De acordo com o órgão nacional, a decisão de tirar os três profissionais de circulação por quatro meses serve para garantir que as investigações corram sem interferências e para proteger a própria reputação e a confiança da sociedade no Ministério Público. A instituição fez questão de ressaltar que o afastamento temporário não é uma condenação antecipada, e que todos os envolvidos terão garantidos os direitos de defesa e de apresentar suas versões ao longo do processo.

Para que a punição preventiva continue valendo, os processos e os afastamentos precisam ser validados pelo Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público. Assim que o colegiado der o aval, um conselheiro relator será sorteado para comandar as investigações internas e, ao final, apresentar o relatório que decidirá o futuro definitivo dos três membros do MPPA.

Fonte: Redação e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 06/07/2026/14:37:45

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