Conheça a cidade chinesa com prédios que criam ilusão de ótica

Em um dos pontos visitados, uma ponte dá acesso ao topo de um prédio de 22 andares. A partir dali, é possível seguir para outro edifício, encontrar jardins, lojas e até observar o rio Yangtze. A cidade parece desafiar a lógica de quem está acostumado a imaginar ruas sempre no nível do chão.

Uma cidade construída em vários níveis

A explicação para esse cenário está, em parte, na própria geografia de Chongqing. A metrópole foi construída em uma área montanhosa, onde encontrar terrenos planos para abrigar uma população crescente se tornou um desafio.

Por isso, a cidade passou a ocupar diferentes níveis do terreno. Viadutos e passarelas funcionam como caminhos para pedestres, enquanto prédios são erguidos aproveitando os desníveis das montanhas.

Em um dos conjuntos mostrados no arquivo, há torres com 24 andares e sem elevador. Para chegar às moradias, os moradores precisam enfrentar longos lances de escada.

O resultado é uma paisagem em que a definição de “térreo” muda dependendo do ponto onde a pessoa está.

Escadas fazem parte da rotina

Para quem visita a cidade, a quantidade de escadas pode parecer uma das características mais impressionantes. Para quem mora ali, porém, elas fazem parte da rotina.

Em alguns prédios, é possível encontrar comércio, farmácias, supermercados e vendedores ambulantes espalhados pelos diferentes níveis. Há também estruturas para facilitar a circulação de moradores e visitantes.

Um dos exemplos é um sistema de baterias que permite ao visitante retirar uma unidade usando um código de barras para carregar o celular enquanto passeia pela cidade.

A circulação também é influenciada pelo turismo. Em determinados espaços, moradores têm acesso a áreas que não são permitidas aos visitantes, que precisam seguir por caminhos específicos.

Prédios que parecem desafiar a gravidade

A arquitetura de Chongqing produz algumas das imagens mais inusitadas da cidade.

Em um dos locais visitados, um prédio parece estar deitado sobre outras duas construções. A estrutura, descrita como semelhante a um enorme tubo, abriga árvores e um piso de vidro. O local fica a cerca de 250 metros de altura.

A impressão de que os edifícios estão “flutuando” ou ocupando posições impossíveis é reforçada pela maneira como as construções acompanham o relevo.

Segundo um urbanista ouvido no material, a arquitetura de alguns desses projetos buscou justamente aproveitar as características do terreno, alternando áreas abertas e fechadas e criando espaços voltados para as montanhas e para a água.

Antes dos arranha-céus, havia carregadores

A paisagem atual esconde uma história muito mais recente do que pode parecer.

O prédio conhecido como “Elefante Branco”, por exemplo, foi concluído em 1992 e começou a funcionar no ano seguinte, ainda durante uma fase inicial de urbanização da região. O projeto fazia parte de um processo de renovação urbana que exigiu a demolição e a realocação de moradias antigas.

Antes da verticalização, a montanha onde o edifício foi construído era utilizada por trabalhadores que carregavam carvão nas costas e o lavavam às margens do rio antes da venda.

Alguns moradores vieram do campo e dependiam desse tipo de trabalho para sobreviver. As cargas eram transportadas pelas escadas, muitas vezes usando bastões apoiados nos ombros.

A transformação da região, portanto, não foi apenas arquitetônica. Ela mudou também a forma como as pessoas trabalhavam e ocupavam aquele espaço.

Do boom imobiliário à cris

A verticalização de Chongqing também está ligada ao boom imobiliário chinês.

Com a expansão da cidade, muitos moradores conseguiram comprar apartamentos a preços considerados acessíveis. O síndico de um dos edifícios apresentados no material é um exemplo dessa transformação: ele trabalhou como recepcionista em uma autoescola e, ao longo de 30 anos, comprou seis apartamentos

Mas o cenário mudou.

A China enfrenta uma crise imobiliária, com queda nos preços dos imóveis, excesso de apartamentos construídos e redução dos empregos ligados à construção civil. Algumas cidades planejadas para receber milhões de pessoas chegaram a se transformar em áreas pouco ocupadas. Chongqing também foi afetada por esse cenário.

Uma cidade dentro de outra

Em meio às montanhas, a cidade criou uma forma própria de crescer.

Um dos conjuntos apresentados reúne seis edifícios onde vivem cerca de 500 famílias. A estrutura funciona quase como uma pequena comunidade vertical, com diferentes caminhos e níveis conectados entre si.

A transformação foi gigantesca. Segundo o material, Chongqing passou de cerca de 3 milhões para 30 milhões de habitantes em poucas décadas.

O crescimento obrigou a cidade a encontrar novas maneiras de ocupar o espaço — não apenas para os lados, mas também para cima e para baixo.

Em Chongqing, uma rua pode estar sobre um prédio. Uma ponte pode funcionar como calçada. O “térreo” pode ser o 22º andar. E uma escada pode ser, simplesmente, o caminho de casa.

É essa combinação entre montanhas, urbanização acelerada e arquitetura que faz da metrópole chinesa uma cidade em que, literalmente, é preciso repensar onde começa e termina o chão.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 20/08/2026/07:12:38

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