Coleção de bonecas chama a atenção em casa tomada pelo lixo de catadora em SP: ‘estava tudo bonitinho’

“Estava tudo bonitinho, eu gostava do bonequinho. Aí eu pus as roupinhas nela, lavei as minhas bonequinhas. Olha que tudo bagaceira”, relata a catadora.
No caso de Anita, as bonecas estão diretamente ligadas à infância difícil. Criada na zona rural de Maringá, ela não teve tempo para brincar quando era criança. A vida foi marcada pelo trabalho doméstico desde cedo, e o acesso ao lazer era restrito.
Para especialistas, esse tipo de comportamento reforça o caráter emocional da acumulação compulsiva: o apego emocional a objetos.
“Alguns objetos adquirem um valor sentimental para a pessoa. Então, portanto, se desfazer daquilo é muito sofrido. É o equivalente ali a se desfazer de algo que tem um valor material muito importante, por exemplo.”
Entre memória e sobrevivência
Anita cresceu sem a presença do pai, mas recebia o carinho da mãe quando terminava o serviço doméstico. A mulher hoje rodeada de lixo sabia cuidar bem de casa. Ela foi para São Paulo trabalhar como doméstica.
A catadora se apaixonou e permitiu que um pedreiro fosse morar na casa que havia comprado. O casal teve um filho que necessita de cuidados especiais. Por isso, ela deixou de trabalhar para se dedicar aos cuidados da criança. Segundo Anita, o marido prometeu ampliar a residência aos poucos.
Ela passou a trabalhar como catadora de recicláveis após perder o emprego e se tornar mãe solo.
Com medo de ter o material roubado, começou a armazenar tudo dentro de casa. O que era inicialmente uma forma de garantir renda acabou se transformando em acúmulo extremo.
Operação de limpeza voluntária
Uma operação que envolveu voluntários e apoio da Defesa Civil fez uma limpeza na casa. A ação que revelou os impactos da acumulação compulsiva e as dificuldades enfrentadas pela idosa.
“Ela pega, ela vende, ela transforma isso em dinheiro. A gente achou que era uma coisa normal. Mas, aos poucos, a gente foi percebendo que aquilo ali foi… Ela foi só somando, acumulando”, conta uma vizinha.
Catadora de recicláveis ganha ajuda para retirar toneladas de lixo que acumulou em casa durante 20 anos — Foto: Fantástico/ Reprodução
O influenciador digital Guilherme Gomes foi quem teve a iniciativa. Ele faz faxina de graça para acumuladores compulsivos e compartilha as histórias das pessoas na internet.
“As pessoas têm esse pré-julgamento: ‘são pessoas porcas, são pessoas desleixadas, como é que uma pessoa vive nesse estado?’ E falo para essas pessoas: a depressão não é frescura”, diz o influenciador digital Guilherme Gomes.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 02/06/2026/07:07:12
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