Cientistas descobrem que enorme coração rosa com quase 10 quilômetros de largura observado pela NASA a 400 quilômetros de altitude ajuda na busca por vida fora da Terra

Divulgada pelo NASA Earth Observatory, a imagem destacou a Salinas Las Barrancas, também conhecida como Laguna de Salinas Chicas, nas planícies próximas à cidade portuária de Bahía Blanca, na Argentina.

O registro não foi produzido por inteligência artificial, mas fotografado em 16 de janeiro de 2024 por um integrante da Expedição 70 a bordo da Estação Espacial Internacional, segundo as informações técnicas publicadas pela NASA.

Feita com uma câmera Nikon D5 e lente de 500 milímetros, a fotografia ganhou repercussão pelo contorno semelhante ao de um coração, embora o interesse ambiental esteja na interação entre água, sal e clima seco.

Nessa área da província de Buenos Aires, a combinação entre períodos de chuva, evaporação e exploração de sal ajuda a moldar uma paisagem clara, rasa e salobra, com aparência incomum quando observada do espaço.

Lagoa rosa aparece nas planícies próximas a Bahía Blanca

A Salinas Las Barrancas aparece em tom rosa-claro a esbranquiçado, cercada por campos e áreas salinas que reforçam o contraste visual da bacia quando a cena é captada em perspectiva orbital.

De acordo com a NASA, a lagoa fica em uma região de planícies próximas ao porto de Bahía Blanca e recebe água quando chove, passando por extração de sal nos períodos em que a bacia seca.

Essa dinâmica explica parte da aparência variável da formação, já que a presença de água, a exposição do leito e os depósitos de sal alteram a leitura visual da superfície ao longo do tempo.

O efeito visto na imagem depende também do ângulo de observação, pois o formato semelhante a um coração fica muito mais evidente quando a lagoa é registrada de cima, a partir da órbita terrestre.

Formato de coração depende do contraste entre água e sal

O desenho que chama atenção não resulta de uma intervenção artificial, mas da geometria natural da bacia e do contraste entre a área úmida, a superfície clara e as margens marcadas por sais.

Vista ao nível do solo, uma formação desse tamanho dificilmente apresentaria o mesmo impacto visual, porque o contorno depende de escala ampla e de uma perspectiva elevada para ser percebido com nitidez.

Na divulgação oficial, o Earth Observatory informou que a imagem foi recortada e aprimorada para melhorar o contraste, além de ter passado por remoção de artefatos ópticos associados à captura fotográfica.

Esse tipo de ajuste é comum em materiais de observação da Terra, pois facilita a leitura de detalhes naturais sem transformar a fotografia em ilustração ou criar elementos inexistentes na paisagem.

O que a NASA confirmou sobre a imagem

A publicação da NASA integra a série “A Pair of Hearts”, preparada para comparar duas formações aquáticas com formatos parecidos, ainda que localizadas em hemisférios diferentes e submetidas a condições ambientais distintas.

Na comparação, a agência espacial apresentou o Lago Saint Clair, entre Michigan, nos Estados Unidos, e Ontário, no Canadá, ao lado da Salinas Las Barrancas, localizada na Argentina.

Enquanto o lago norte-americano aparece coberto por gelo, a lagoa argentina foi registrada durante o verão austral, sob condições de luz e clima que destacam a tonalidade clara da superfície.

A NASA também informa que a Salinas Las Barrancas tem o leito abaixo do nível do mar, acumula água quando chove e é explorada para a retirada de sal durante os períodos secos.

Além dos aspectos geológicos e hidrológicos, o órgão menciona a presença de aves na região das salinas, entre elas o flamingo-chileno e o cardeal-amarelo, espécies associadas ao ambiente local.

Microalgas extremófilas exigem cuidado na interpretação

A relação entre lagoas salinas e micro-organismos resistentes ao sal é relevante para a ciência, mas a NASA não afirmou, na publicação consultada, que tenha identificado microalgas específicas na Salinas Las Barrancas.

Por isso, a presença de organismos como Dunaliella salina deve ser tratada como contexto científico sobre ambientes hipersalinos, e não como uma descoberta confirmada diretamente nessa lagoa argentina.

Estudos sobre Dunaliella salina mostram que espécies desse grupo podem viver em ambientes com alta concentração de sal, usando mecanismos celulares de adaptação para lidar com o estresse osmótico.

Entre esses mecanismos, pesquisadores citam o acúmulo de glicerol e a produção de carotenoides, como o betacaroteno, associados à proteção celular e a pigmentações observadas em organismos de ambientes salinos extremos.

Ambientes salinos ajudam a estudar limites da vida

As salinas naturais despertam interesse porque reúnem condições severas para muitos organismos, como excesso de sal, variação de água disponível, alta exposição solar e mudanças químicas ao longo do ano.

Em laboratórios e estudos de campo, microalgas adaptadas a salinidades elevadas servem como modelos para entender como células conseguem manter equilíbrio interno em condições que seriam desfavoráveis para a maior parte da vida.

A ligação com a astrobiologia, nesse caso, precisa ser apresentada de forma cuidadosa, pois ambientes extremos da Terra ajudam a orientar perguntas científicas, mas não provam a existência de vida fora do planeta.

O valor científico está em observar quais sinais biológicos podem surgir em locais hostis e como esses sinais podem ser interpretados em pesquisas sobre ambientes extremos terrestres e mundos analisados por missões espaciais.

Fotografias da ISS complementam imagens de satélite

Fotografias feitas por astronautas seguem importantes porque registram ângulos, sombras, reflexos e detalhes que nem sempre aparecem com a mesma oportunidade em satélites programados para passagens específicas.

No caso da Salinas Las Barrancas, a imagem da ISS documenta a forma da lagoa, o contraste entre água e sal e a relação entre uma paisagem salina e seu entorno agrícola.

Mais do que uma curiosidade visual, a formação mostra como a observação da Terra a partir do espaço pode revelar padrões ambientais discretos, conectando geologia, clima, hidrologia e vida adaptada a condições severas.

Fonte: CPG e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 03/07/2026/15:51:14

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