Cidade fantasma com 540 casas abandonadas vira abrigo de morcegos e sucata de R$ 50 milhões

A cidade fantasma do conjunto Alfredo Freire 4 deveria abrigar 2.000 pessoas, mas virou sucata de R$ 50 milhões e agora depende de laudos, retrabalho e prazo oficial para renascer.
A cidade fantasma do conjunto Alfredo Freire 4, em Uberaba, parece uma cena congelada no tempo: 540 casas com parede, telhado e até tecnologia de energia solar abandonadas ao sol e à chuva por uma década. O que era para ser moradia para 2.000 pessoas virou um retrato do desperdício, com mato tomando conta e morcegos dominando o espaço.
E o pior é que não se trata só de aparência. Na prática, a cidade fantasma virou um problema de engenharia, porque 10 anos de abandono transformaram infraestrutura em dúvida, material em sucata e o terreno em risco silencioso. Agora, com anúncio oficial de retomada em 2026 e meta de entrega até 2028, a pergunta que fica é se o bairro vai mesmo voltar a ser habitável.
O que uma cidade fantasma de 10 anos faz com uma obra pronta
Quem olha de longe enxerga casas “em pé”. Quem olha com critério vê patologia de obra acontecendo em câmera lenta. O solo da região é arenoso e relatórios técnicos antigos já apontavam riscos graves em muros de arrimo e contenções.
Sem manutenção, a chuva lavou o terreno por anos e produziu erosão silenciosa, que não aparece em foto bonita, mas aparece na conta e na segurança.Novidades Ciência Tecnologia
Outro problema é o que não está visível: parte da infraestrutura está enterrada. Para saber se os tubos de água e esgoto ainda prestam, foi necessário contratar laudo específico de engenharia.
O veredito é duro: muita coisa terá de ser arrancada e refeita, o famoso retrabalho que destrói orçamento.
Energia solar virou sucata e o prejuízo ficou escancarado
A cidade fantasma também expõe um “crime visível”: o sistema de aquecimento solar. Equipamentos desse tipo têm vida útil, vedações de borracha e fluidos internos.
Depois de uma década cozinhando no sol e esfriando na chuva, sem uso, as borrachas ressecaram e os coletores trincaram. Na prática, muita coisa que parecia “instalada” virou descarte.Água Engarrafada
Isso explica por que não basta roçar mato e pintar parede. Em uma cidade fantasma, o tempo não perdoa material, não perdoa vedação e não perdoa o que ficou exposto. O que apodreceu, não volta só com maquiagem.
Como o conjunto virou cemitério de obras
Para entender como a cidade fantasma chegou nesse ponto, é preciso voltar ao contrato. O acordo original foi assinado em agosto de 2013, e a primeira construtora, a El Global, prometeu entregar tudo em 15 meses, mas faliu e saiu. Em 2019, a RCON assumiu, tentou, não conseguiu e largou o canteiro. O resultado foi um cemitério de obras, com alvenaria estrutural exposta por anos.
Os números assustam. O local acumulou cerca de 23.000 m² de alvenaria estrutural enfrentando variação térmica por uma década, além de estimativa de milhões de tijolos cerâmicos e toneladas de concreto no tempo. Não é só estética, é desgaste estrutural de verdade.
Invasão, pressão política e a frase que viralizou
O abandono também abriu espaço para caos social. Em abril de 2025, houve invasão em massa: famílias ocuparam as carcaças das casas e a polícia precisou intervir. A situação escalou e virou pauta política. O vereador e hoje senador Cleitinho apareceu para fiscalizar, apontando o tamanho do absurdo.
A própria prefeita Elisa Araújo, ao entrar em uma casa e ver o teto preto de sujeira, soltou a frase que viralizou: “Acabou a farra da morcegada”. A pressão aumentou, o tema ganhou corpo e o cenário começou a mudar para o anúncio de retomada.
Retomada em 2026 e promessa de entrega até 2028
A cidade fantasma entrou oficialmente no modo “promessa fiscalizada” em 13 de janeiro de 2026, quando Prefeitura e Caixa Econômica anunciaram o restart do projeto. A EF Construtora venceu a licitação e assumiu o canteiro. A missão é direta e pesada: recuperar o que sobrou e entregar as chaves até 2028.
Com dinheiro em caixa e contrato assinado, o discurso muda de “não dá” para “tem que fazer”. Só que o desafio continua sendo técnico: rever infraestrutura enterrada, lidar com retrabalho, recuperar alvenaria abandonada e reverter anos de erosão e desgaste. O relógio já está correndo, e o “antes” está registrado.
Fonte: Clickpetroleoegas e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/03/2026/10:12:28
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