Caso Master: quem são os alvos da operação que prendeu Daniel Vorcaro; medidas incluem prisões e uso de tornozeleira

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a prisão de Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4), dono do Banco Master, cita existência de uma organização criminosa, danos bilionários e ameaça às investigações do caso.

De acordo com o documento, as investigações revelaram a existência de uma ‘milícia privada” chamada ‘A Turma’, utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.

A decisão detalha uma série de condutas atribuídas aos investigados no âmbito da “Operação Compliance Zero”, da Polícia Federal (PF), que apura crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

Medidas da PF autorizadas por Mendonça

Foram presos preventivamente:

  • Daniel Vorcaro;
  • Fabiano Zettel;
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão; e
  • Marilson Roseno da Silva.

O ministro disse que as prisões são necessárias para garantir a ordem pública e econômica, evitar a destruição de provas e ameaças contra as testemunhas, além de assegurar a aplicação da lei penal.

Além disso, os outros alvos da operação vão ter que cumprir medidas cautelares. São eles: Paulo Sérgio Neves de SouzaBelline SantanaLeonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva. As restrições incluem:

  • uso de tornozeleira eletrônica;
  • proibição de manter contato com qualquer testemunha ou investigado da operação;
  • proibição de ausentar-se da comarca de residência e do país, com entrega obrigatória do passaporte em 48 horas;
  • suspensão do exercício de função pública e proibição de acesso às dependências do Banco Central (BC), especificamente para Paulo Sérgio e Belline. A dupla já havia sido afastada pelo BC.

Além disso, a decisão determinou a suspensão imediata e por tempo indeterminado das atividades de empresas utilizadas no esquema:

  • Varajo Consultoria;
  • Moriah Asset;
  • Super Empreendimentos;
  • King Participações Imobiliárias; e
  • King Motors.

Mendonça também para compartilhar de provas com o BACEN para fins de processo disciplinar contra os servidores envolvidos.

Veja o que as investigações apontam que cada citado fez:

Daniel Vorcaro: Teria estruturado um esquema de captação agressiva de recursos – como a emissão de CDBs com rentabilidade acima do mercado – para investir em ativos de alto risco e baixa liquidez vinculados ao próprio grupo. Mantinha interlocução direta com servidores do Banco Central (BC) para obter consultoria privada e orientações estratégicas sobre supervisão bancária. Além disso, é acusado de comandar “A Turma”, uma estrutura de vigilância e coerção utilizada para intimidar adversários, ex-empregados e jornalistas, chegando a planejar agressões físicas contra profissionais da imprensa.

Fabiano Zettel: Atuava como o operador financeiro do grupo e braço direito de Vorcaro. Segundo a investigação, sua função envolvia a intermediação e operacionalização de pagamentos, incluindo a formalização de contratos simulados para justificar o repasse de propinas a servidores públicos e o custeio das atividades de monitoramento e intimidação realizadas pela “Turma”.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (conhecido como “Sicário”): Era o coordenador de segurança de Vorcaro e apontado como líder operacional da “Turma”. De acordo com a PF, suas ações incluíam a obtenção clandestina de informações sigilosas mediante acesso indevido a sistemas da PF, Ministério Público Federal (MPF) e organismos internacionais, como FBI e Interpol, utilizando credenciais de terceiros. Também coordenava o monitoramento presencial de alvos e utilizava expedientes fraudulentos para remover conteúdos críticos ao grupo em plataformas digitais.

Paulo Sérgio Neves de Souza: Servidor do BC. É apontado como uma espécie de consultor privado de Daniel Vorcaro, revisando minutas de documentos que o Banco Master enviaria ao próprio BC e antecipando informações sobre fiscalizações e monitoramentos da autarquia para que o banco pudesse se proteger. Em troca, teria recebido vantagens indevidas, como o custeio de viagens ao exterior.

Belline Santana: Servidor do BC. Assim como Paulo Sérgio, as investigações indicam que Santana prestava consultoria estratégica informal a Vorcaro, analisando previamente ofícios e participando de reuniões privadas fora da autarquia para discutir temas regulatórios de interesse do banco. Teria recebido remuneração ilícita por meio de um contrato de consultoria fictício com a empresa Varajo.

Leonardo Augusto Furtado Palhares: Administrador da empresa Varajo Consultoria, ele atuou na formalização documental do contrato simulado utilizado para repassar valores a Belline Santana. Sua empresa é apontada como “conta de passagem” para ocultar a origem ilícita dos pagamentos.

Ana Claudia Queiroz de Paiva: Funcionária de Vorcaro e sócia da empresa Super Empreendimentos. Teria sido responsável pela operacionalização financeira dos fluxos de recursos destinados a pagar “A Turma” e os servidores corrompidos, participando ativamente da estrutura de lavagem de dinheiro.

Caso Master

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, e a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, marcam mais um capítulo de uma crise que já vinha se desenhando há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, integrantes do mesmo grupo.

O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.

O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.

🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).

Tentativas de venda do Master, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.

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Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progressso 04/03/2026/12:08:48

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