Caso Bruno e Dom: Justiça Federal decide levar “Colômbia” a júri popular por suspeita de ser mandante das mortes

Na decisão, a juíza cita informações reunidas durante a investigação, como registros de ligações telefônicas entre o acusado e suspeitos apontados como autores do crime, além de depoimentos de testemunhas. As investigações também indicam que ele financiava atividades ilegais no Vale do Javari.

A magistrada destacou ainda que Bruno Pereira teria sido alvo de ameaças por causa do trabalho de fiscalização que realizava na região. De acordo com a investigação, as ações do indigenista prejudicavam os interesses do grupo criminoso investigado.

A acusação afirma que “Colômbia” pode ter fornecido as munições usadas no crime, mantido contato frequente com integrantes do grupo antes das mortes e ajudado a coordenar as atividades ilegais investigadas.

Com a decisão, o acusado responderá por homicídio qualificado. No caso de Dom Phillips, a acusação também sustenta que o crime teria sido cometido para facilitar ou esconder outro delito.

Relembre o crime

Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição para uma investigação na Amazônia. Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho, quando passavam em uma embarcação pela comunidade de São Rafael. De lá, seguiam para Atalaia do Norte.

A viagem de 72 quilômetros deveria durar apenas duas horas, mas eles nunca chegaram ao destino.

Os restos mortais dos dois foram achados em 15 de junho daquele ano. As vítimas teriam sido mortas a tiros, e os corpos, esquartejados, queimados e enterrados. Segundo laudo de peritos da PF, Bruno foi atingido por três disparos, dois no tórax e um na cabeça. Já Dom foi baleado uma vez, no tórax.

A polícia achou os restos mortais dos dois após um dos suspeitos, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, confessar envolvimento nos assassinatos e indicar onde estavam os corpos.

Além de Amarildo e ‘Colômbia’, também foram acusados por envolvimento no crime:

Jefferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande
Jânio Freitas de Souza, apontado como braço direito do mandante, ambos também presos em presídios federais
Oseney da Costa de Oliveira, o Dos Santos, em regime domiciliar

Em documento enviado à Justiça, em julho de 2022, o Ministério Público Federal argumenta que Amarildo e Jefferson confessaram o crime. Diz ainda que a participação de Oseney, apesar de negar envolvimento no crime, foi mencionada em depoimentos de testemunhas.

Em junho deste ano, a Justiça Federal tornou réus outros cinco homens que teriam participado do crime.

Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira vão responder pelos crimes de ocultação de cadáver.

Todos, com exceção de Francisco, também responderão por corrupção de menor, após, segundo a Justiça, obrigarem um adolescente a participar da ação criminosa. Eles respondem em liberdade.

A Rede Amazônica tentou contato com a defesa de Ruben Dário da Silva Villar, o ‘Colômbia’, mas até o momento não houve retorno.

Quem foi Dom Phillips

O jornalista britânico era um veterano na cobertura internacional. Ele já foi colaborador dos jornais “Washington Post”, “The New York Times” e “Financial Times”, e morava no Brasil desde 2007.

Segundo o jornal do qual era colaborador, ele era conhecido por seu amor pela região amazônica e viajou muito p a fim de relatar a crise ambiental brasileira e os problemas de suas comunidades indígenas.

Era natural do condado de Merseyside, região onde fica a cidade de Liverpool, no noroeste inglês. De acordo com amigos, Phillips se aventurou no mundo da música antes de se tornar jornalista.

Quem foi Bruno Pereira

O indigenista Bruno Araújo Pereira, que viajava com o jornalista inglês Dom Phillips pela região do Vale do Javari, na Amazônia, era um dos maiores especialistas em indígenas que vivem em isolamento no Brasil.

Casado com a antropóloga Beatriz Matos, que conheceu durante uma viagem de trabalho no próprio Vale do Javari, o indigenista deixou dois filhos.

Pereira foi criado em Pernambuco e deixou a região em meados dos anos 2000 para seguir o sonho de trabalhar na Amazônia. Ingressou na Funai em 2010, em um dos últimos concursos públicos promovidos pelo órgão.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/06/2026/07:21:56

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