Capitã da PM faz apelo a mulheres após vítima de violência doméstica fugir de hospital: ‘É preciso dar um basta no relacionamento abusivo’

Mesmo com o rosto desfigurado e hematomas pelo corpo, vítima não queria que o companheiro fosse preso.
Nesta segunda-feira (2), a Capitã PM Wirllene Dutra, subcomandante do 18º Batalhão de Polícia Militar, em Monte Alegre, oeste do Pará, fez um apelo às mulheres vítimas de violência doméstica, para que não coloquem suas vidas em risco insistindo em relacionamentos abusivos.
O apelo se deu após a capitã se deparar com mais um caso grave de violência em que a vítima, mesmo com o rosto desfigurado e hematomas por todo o corpo, não queria que o agressor fosse preso.
O caso aconteceu na madrugada de domingo, no bairro Planalto. Uma jovem de 19 anos foi brutalmente espancada pelo companheiro na frente do filho de apenas 3 anos de idade. Em determinado momento, ela conseguiu se desvencilhar do agressor e correu para a rua, onde foi socorrida por populares que acionaram a Polícia Militar.
A Polícia esteve no local e encontrou a vítima bastante machucada, mas o agressor havia fugido. A jovem foi encaminhada ao Hospital Municipal de Monte Alegre. Enquanto isso, a guarnição realizou buscas e localizou o agressor. Ao retornar ao hospital, a guarnição foi informada que a jovem havia fugido ainda com o soro. Poucos minutos depois ela foi localizada pela polícia, e para surpresa da guarnição, ela disse que não ia denunciar o companheiro porque não queria que ele fosse preso.
A vítima foi informada pela polícia que em casos de violência física, como o que aconteceu com ela, a ação é incondicionada, ou seja, independente da vontade da mulher de denunciar ou não. Ela e o agressor foram conduzidos até a delegacia, onde o agressor foi enquadrado na Lei Maria da Penha e ficou preso.
“Fica aqui também um apelo para que as mulheres que estejam passando por esse tipo de violência, que parem pra pensar na sua vida, na sua família e nos seus filhos, porque essa situação não foi a primeira vez que ocorreu. Ela (vítima) relatou que já foi agredida em outros momentos. Então vale aqui destacar que uma vez que a mulher foi agredida isso vai se repetir e pode até se potencializar, podendo chegar até um feminicídio, e isso a gente não quer que ocorra”, apelou a capitã Wirllene.
A subcomandante do batalhão Gurupatuba, também ressaltou que as mulheres devem dar um basta aos primeiros sinais de violência.
“É importante a mulher ao perceber os primeiros sinais de violência doméstica já dê um basta nesse relacionamento abusivo para ter sua integridade física e a sua vida preservada”, aconselhou.
Violência doméstica em Monte Alegre
De acordo com dados levantados pelo Batalhão Gurupatuba, em 2025 foram registrados 249 casos de violência doméstica na área de atuação da corporação: Monte Alegre e Prainha.
A cada 35 horas, o 18º BPM faz um atendimento de violência doméstica. Mas o número de casos pode ser bem maior, levando em consideração os demais órgãos que também podem ser acionados (Polícia Civil, Ministério Público e Delegacia da Mulher), além das vítimas que não registram a violência sofrida em nenhum órgão.
Fonte: g1 Santarém e Região e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 04/02/2026/07:40:24
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