Brasil registra alta de Mpox e acende alerta em estados

Segundo dados oficias do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou 88 casos de Mpox neste ano, sendo 44 ocorrências concentradas em apenas cinco dias. Apesar do aumento, não houve mortes até o momento, mas as autoridades reforçam orientações de prevenção e mantêm monitoramento constante da doença, considerada infecciosa, transmissível e viral.
Embora esteja longe do surto de 2022, que contabilizou 10.613 casos e 14 óbitos, a Mpox voltou ao radar da saúde pública. Até agora, além dos casos confirmados, o Ministério da Saúde ainda analisa dois casos prováveis e 171 suspeitos. A idade média dos infectados é de 33 anos, com predominância de 78% de homens cisgêneros. “A maioria dos pacientes teve sintomas classificados como de grau leve a moderado, sem registro de gravidade ou mortes associadas à doença”, informou o Ministério da Saúde.
O estado de São Paulo concentra a maioria dos casos, com 63 registros, seguido por Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Distrito Federal (1). A Secretaria de Estado da Saúde de SP informou que monitora continuamente o cenário epidemiológico da Mpox, mantendo articulação permanente com secretarias municipais de saúde e a rede assistencial.
Em Rondônia, a vacina contra a Mpox está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas não integra o calendário de rotina. O imunizante é aplicado apenas em pessoas com maior risco de exposição ou grupos vulneráveis, com o objetivo de reduzir a transmissão e fortalecer a resposta do sistema de saúde diante de casos suspeitos e confirmados.
De acordo com especialistas, a Mpox se manifesta de forma semelhante à catapora, com bolhas ou vesículas na pele que contêm líquido e formam crostas ao romperem. Ainda segundo eles, o quadro pode vir acompanhado de febre acima de 38,5°C, dor de cabeça, linfonodos inchados, dores musculares, dores nas costas e fraqueza intensa.
O tratamento é de suporte, incluindo isolamento, hidratação, alimentação adequada e medicação para sintomas como dor e febre, além do cuidado com possíveis infecções secundárias nas lesões. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões ou secreções de pessoas infectadas.
Até o momento, não existe remédio específico, embora o antiviral tecovirimat, originalmente desenvolvido para tratar varíola, tenha sido autorizado pela Anvisa para importação e uso pelo Ministério da Saúde. Testes indicam segurança, mas ainda não há comprovação consistente de eficácia na redução de sintomas em casos leves, que representam a maioria das infecções.
Casos seguem dentro do esperado
A chegada da Mpox ao Brasil está ligada ao trânsito global de mercadorias e ao turismo. Em 2022, o país enfrentou um surto com mais de 10 mil casos e 14 óbitos. Atualmente, os números são considerados baixos e dentro do esperado. Enquanto nos dois primeiros meses de 2023 foram registrados 244 casos, em 2026 houve 88, sem nenhum óbito.
Para os especialistas, o aumento de 44 para 88 casos em apenas cinco dias não representa alerta, mas é resultado da matemática de números absolutos pequenos. O período pós-carnaval é acompanhado de perto, uma vez que aglomerações favorecem a transmissão. Entretanto, mesmo após uma semana do término das festividades, não houve aumento significativo além do esperado, considerando que o período de incubação varia de três a seis dias e pode se estender por até três semanas.
Fonte: Correio Braziliense e Publicado Por: Jornal Folha do Progressso 02/03/2026/16:06:46
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