Bolsa Família reduz mortalidade materna e infantil, aponta Fiocruz

A mortalidade materna entre mulheres de baixa renda pode ser significativamente reduzida com o acesso ao Bolsa Família. É o que aponta uma série de estudos realizados por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, que identificaram uma redução de até 31% no risco de morte por causas relacionadas à gravidez, ao parto e ao puerpério entre beneficiárias do programa de transferência de renda do governo federal. Os resultados foram divulgados nesta semana e reforçam o impacto das políticas sociais sobre indicadores de saúde pública no Brasil.
Segundo os pesquisadores, um dos principais fatores associados à queda da mortalidade é o aumento do acesso ao pré-natal e aos serviços de saúde. Como o programa exige o acompanhamento da saúde de gestantes e crianças como uma das condicionalidades para a manutenção do benefício, mulheres atendidas tendem a realizar mais consultas médicas e exames preventivos durante a gravidez. O estudo também identificou melhorias nos desfechos gestacionais e neonatais.
Redução da mortalidade infantil e outros benefícios
A pesquisa analisou dados de milhões de brasileiros inscritos no Cadastro Único e mostrou que gestantes beneficiárias tiveram 11% menos chances de dar à luz bebês com baixo peso. Entre mães pretas, a redução chegou a 14%, enquanto entre indígenas alcançou 27%. Os pesquisadores também observaram uma redução global de 31% nos nascimentos extremamente prematuros, percentual que foi ainda maior entre mulheres que receberam acompanhamento pré-natal adequado.
Os benefícios não se limitaram à saúde materna. Em outro levantamento envolvendo mais de 4 milhões de nascimentos, os cientistas identificaram redução de 16% na mortalidade infantil de crianças menores de cinco anos pertencentes a famílias atendidas pelo programa. Houve ainda diminuição de casos de tuberculose, HIV/Aids, hanseníase e transtornos relacionados à saúde mental. Entre os beneficiários, a taxa de suicídio foi 56% menor em comparação com grupos semelhantes que não recebiam o benefício.
Impacto das políticas sociais na saúde pública
O epidemiologista Maurício Barreto, da Fiocruz Bahia, destacou que os resultados demonstram como fatores econômicos e sociais influenciam diretamente a saúde da população. Segundo ele, o combate à pobreza e a ampliação do acesso aos serviços públicos devem caminhar juntos para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. “Reduzir a pobreza e incentivar o uso dos serviços de saúde, educação e assistência social deve fazer parte dos esforços para tornar a população brasileira mais saudável”, afirmou o pesquisador.
Fonte:DIARIO DO PARÁ e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 10/06/2026/17:14:04
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