BNDES e Instituto Aegea anunciam R$ 40 milhões para levar saneamento a 320 escolas do Marajó

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Instituto Aegea assinaram, nesta quarta-feira (4), um acordo de R$ 40 milhões para levar saneamento básico e água potável a 320 escolas públicas em 16 municípios do Marajó, no Pará. A iniciativa integra o projeto “Saneamento nas Escolas – Marajó”.
Do total de recursos, R$ 20 milhões são provenientes do Fundo Socioambiental do BNDES, na modalidade não reembolsável. O fundo financia projetos voltados à inclusão social e à melhoria das condições de vida de populações de baixa renda.
Escolas enfrentam déficit histórico de infraestrutura
Segundo diagnóstico da Habitat para a Humanidade Brasil, responsável pelo projeto e pelo levantamento das condições da infraestrutura escolar na região, quase 94% das escolas públicas que serão atendidas não têm acesso ao abastecimento público de água.
Além disso:
- quase 60% não contam com tratamento adequado de esgoto;
- 37,4% não possuem banheiro;
- 89,4% não dispõem de coleta de lixo;
- 45,7% não têm energia elétrica.
As intervenções incluem abastecimento de água, esgotamento sanitário, instalações hidrossanitárias, drenagem, coleta e tratamento de resíduos sólidos.
Impacto na saúde e na permanência escolar
De acordo com o BNDES, a ampliação do acesso à água potável e a estruturas sanitárias adequadas pode reduzir a incidência de doenças como diarreia, hepatites e infecções parasitárias, além de diminuir faltas escolares por motivos de saúde.
O projeto também prevê ações para enfrentar a chamada insegurança menstrual, considerada uma das causas de ausência escolar entre meninas adolescentes. A melhoria de banheiros — com iluminação adequada e localização próxima às salas de aula — busca reduzir situações de vulnerabilidade e promover equidade de gênero no ambiente escolar.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a iniciativa vai além da infraestrutura. “Levar saneamento básico a escolas municipais do Marajó é promover uma condição básica para o processo de ensino e aprendizagem, com qualidade e equidade, reduzindo a evasão escolar em uma das regiões com maior vulnerabilidade social do país”, afirmou.
Já a diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, destacou que a parceria permite ampliar o acesso à água em pequenas escolas rurais da Ilha do Marajó. Segundo ela, o projeto deve praticamente universalizar o acesso à água nas escolas com até 50 alunos na região.
Parcerias e atuação no território
A execução do projeto conta com apoio de organizações locais e nacionais, entre elas o Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), a Cáritas Brasileira Regional Norte II, a Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu) e a Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (Fase).
O Marajó, maior arquipélago fluviomarinho do mundo, enfrenta déficits históricos de saneamento, especialmente em áreas rurais e comunidades isoladas. A ausência de infraestrutura adequada nas escolas compromete a saúde de estudantes e profissionais e impacta diretamente o processo educacional.
Segundo o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos, o investimento pode gerar efeitos além do ambiente escolar. “Ao levar infraestrutura de água, esgoto e banheiro para essas escolas, ajudamos também a comunidade a se organizar para buscar soluções para outros problemas típicos da região”, afirmou.
Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 04/03/2026/14:39:52
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