Bebê desaparecido: caso José Arthur completa seis meses sem solução no Pará

O desaparecimento de José Arthur Sousa Barros, de 2 anos, completa seis meses neste sábado (26), em Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará. A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios de Marabá.
“Informações que auxiliem na apuração podem ser repassadas pelo Disque-Denúncia, no número 181. O sigilo é garantido”, informou a corporação.
O menino foi visto pela última vez em 26 de março, na localidade de Vila Peruana, e ainda não há informações sobre o paradeiro dele.
No início de setembro, as investigações foram transferidas da Delegacia de Eldorado dos Carajás para a Delegacia de Homicídios de Marabá.
Segundo a Polícia Civil, a mudança ocorreu em razão da estrutura especializada da unidade de Marabá, que possui mais recursos para dar continuidade às diligências.
Recentemente, a Polícia Federal informou que José Arthur não está entre as crianças resgatadas em uma operação nos Estados Unidos. De acordo com a PF, nenhuma vítima brasileira foi identificada entre as crianças localizadas na ação.
O advogado da família tinha acionado a PF para cruzar os dados da criança com informações sobre possíveis vítimas de tráfico infantil que tinham sido resgatadas nos Estados Unidos durante a operação ‘Statewide Shield’ (Escudo Estadual), realizada entre 17 e 21 de agosto.
A ação resgatou 163 bebês, crianças e adolescentes na Flórida, com idades de dois meses a 17 anos.
Alerta internacional
Como nova medida para tentar localizar o bebê, o advogado Elisson Araújo informou que já oficializou um pedido à Polícia Federal para que o nome de José Arthur seja incluído no Aviso Amarelo (Yellow Notice) da Interpol.
🟡 O Aviso Amarelo (Yellow Notice) da Interpol é um alerta policial internacional emitido com objetivo de localizar pessoas desaparecidas ou identificar quem não consegue revelar a própia identidade.
“José Arthur, infelizmente, não estava entre essas crianças, mas nós não desistiremos dele. Meu amiguinho, onde você estiver, eu não vou desistir de você. O Brasil não desistirá de você”, afirma o advogado.
Relembre o caso
José Arthur Sousa Barros desapareceu na noite do dia 26 de março deste ano, na Vila Peruana, uma área rural de Eldorado do Carajás que fica próxima ao Assentamento Lourival Santana, no sudeste do Pará.
O menino, que na época tinha um ano e seis meses, brincava com os primos no quintal da casa onde morava com a família quando sumiu sem deixar rastros.
A região onde ocorreu o desaparecimento é de difícil acesso, cercada por áreas de mata densa, rios e cortada por uma rodovia federal.
Forças de segurança e moradores da comunidade iniciaram uma intensa mobilização de buscas. A operação contou com o apoio de homens do Corpo de Bombeiros, equipes policiais especializadas, cães farejadores, além do uso de drones para mapeamento aéreo e mergulhadores para buscas nos rios da região.
Apesar dos esforços, nenhum vestígio ou pista sobre o paradeiro do bebê foi encontrado no local.
No decorrer do inquérito, a Polícia Civil ouviu mais de 25 depoimentos e apreendeu aparelhos celulares para perícia. Duas semanas após o desaparecimento, no dia 10 de abril, uma operação policial prendeu temporariamente dois homens: Roserlândio Castro de Almeida e Evandro Firmino da Silva.
Segundo as investigações, os suspeitos eram amigos da família e frequentavam a residência de onde a criança sumiu. No entanto, em junho, ambos foram colocados em liberdade após o término do prazo das prisões temporárias.
Em agosto, quando José Arthur completou dois anos de idade, o caso foi tema de uma audiência pública na Câmara Municipal de Eldorado do Carajás, que reuniu familiares, autoridades locais e representantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.
Durante a sessão, a mãe do menino, Geiciara Souza Gonçalves, emocionou os presentes ao relatar a dor da ausência do filho, reforçando que mantém a esperança de reencontrá-lo vivo.
“Ele fez dois anos de vida. Eu tenho certeza que meu filho está vivo, mas passou os dois aninhos dele longe de mim. Mas eu tenho muita fé em Deus que esse vai ser o primeiro e o último aniversário que ele vai passar longe de mim”, desabafou Geiciara.
Como desdobramento dessa mobilização, no dia 2 de setembro, a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal aprovou o relatório da diligência realizada no município.
Com a aprovação do documento, o órgão federal passa a acompanhar o andamento das investigações de forma ainda mais próxima.
Como ajudar nas investigações
Qualquer informação que possa ajudar a localizar o menino José Arthur pode ser repassada de forma totalmente anônima por meio do Disque Denúncia, pelo número 181. Não é necessário se identificar.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 25/09/2026/14:42:00
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