Bebê de sete meses morre após atendimento em UPA da zona leste de São Paulo; família denuncia possível negligência

Criança foi levada à UPA Tito Lopes com febre, coriza e tosse e, segundo familiares, apresentou piora após receber medicação; Secretaria Municipal da Saúde afirma que bebê recebeu atendimento e aguarda laudo para esclarecer a causa da morte
Uma bebê de sete meses, identificada pelas iniciais I.S.B., morreu na madrugada da última terça-feira (11), após ser atendida na UPA Tito Lopes, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. A família questiona o atendimento prestado na unidade e afirma que houve negligência médica. A causa da morte, no entanto, ainda não foi oficialmente determinada.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, a criança começou a apresentar febre, coriza e tosse na segunda-feira (10). Como os sintomas não melhoraram, familiares decidiram levá-la para atendimento médico.
De acordo com o relato da avó, Eliane Antônia de Oliveira Souza, a bebê passou por atendimento e exames na UPA Tito Lopes. Conforme a família, inicialmente não teria sido identificado um diagnóstico claro. A criança recebeu medicação, mas posteriormente apresentou uma piora significativa no quadro clínico.
Ainda segundo o relato familiar, a bebê teria ficado com a pele arroxeada, apresentado pequenas manchas ou bolinhas vermelhas e dificuldade para respirar. Familiares afirmam que a situação foi comunicada à equipe da unidade e que houve preocupação diante da evolução do quadro.
A família questiona a conduta adotada no atendimento e sustenta que os sinais de agravamento não teriam recebido uma resposta considerada adequada. As acusações, porém, ainda precisam ser esclarecidas pelas investigações e pelo resultado dos exames periciais.
Após a piora, a criança foi transferida para o Hospital Tide Setubal, também na zona leste da capital paulista. A transferência ocorreu por meio de uma vaga regulada pelo Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (Siresp).
Segundo os familiares, a bebê chegou ao hospital em estado grave. Foram realizadas tentativas de reanimação, mas ela não resistiu e morreu na madrugada de terça-feira (11).
Família pede investigação
Após a morte da criança, familiares utilizaram as redes sociais para pedir esclarecimentos e responsabilização caso sejam confirmadas irregularidades no atendimento.
A mãe da bebê publicou uma mensagem pedindo justiça e uma investigação sobre o caso. Ela também compartilhou uma manifestação de um familiar que questionou o atendimento prestado na unidade e afirmou que a família não quer que uma eventual negligência seja tratada como algo normal.
A família também mencionou relatos de outros problemas relacionados ao atendimento na UPA Tito Lopes e defendeu que o serviço seja investigado.
Apesar das acusações feitas pelos familiares, não há, até o momento, confirmação oficial de que tenha ocorrido negligência médica. A causa da morte ainda depende de investigação e de laudo pericial.
Secretaria da Saúde diz que bebê recebeu atendimento
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo informou que a bebê recebeu atendimento na UPA Tito Lopes e, posteriormente, foi transferida para o Hospital Tide Setubal, onde havia uma vaga regulada pelo Siresp.
A pasta afirmou que, apesar dos esforços empregados pelas equipes de saúde, a paciente evoluiu para óbito.
O corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), órgão responsável por investigar as circunstâncias e auxiliar na determinação da causa da morte em casos dessa natureza.
A Secretaria Municipal da Saúde informou ainda que aguarda o resultado do laudo para confirmar a causa do óbito. A pasta lamentou a morte da criança, manifestou solidariedade aos familiares e afirmou que a direção da unidade permanece à disposição da família.
A UPA Tito Lopes é localizada na Avenida Pires do Rio, 228, na Vila Americana, região de São Miguel Paulista, e integra a rede de atendimento de urgência e emergência da capital. A unidade é administrada pela Organização Social de Saúde Santa Marcelina.
Polícia aguarda laudo
O caso foi registrado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) como morte natural. A ocorrência está sob responsabilidade do 64º Distrito Policial (Cidade A.E. Carvalho).
Segundo a SSP-SP, a autoridade policial aguarda o resultado do laudo pericial requisitado para analisar as circunstâncias da morte e determinar eventuais providências.
Dessa forma, até o momento, não existe confirmação oficial de que a morte tenha sido provocada por erro ou negligência médica. A investigação deverá considerar os atendimentos realizados, os medicamentos administrados, a evolução clínica da criança e os resultados dos exames e da perícia.
UPA já foi alvo de questionamentos
A UPA Tito Lopes já foi mencionada anteriormente em discussões sobre a qualidade do atendimento na região. Em documento do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo, há registro de reclamações relacionadas ao atendimento na unidade, embora esse material seja anterior ao caso envolvendo a bebê.
Em outro caso ocorrido em março de 2026, uma mulher que havia sido agredida pelo companheiro foi atendida na UPA Tito Lopes e posteriormente morreu. Na ocasião, a Secretaria Municipal da Saúde informou que a organização responsável pela administração da unidade havia aberto uma apuração institucional sobre o atendimento prestado.
Esses episódios, entretanto, são distintos e não comprovam qualquer relação entre os atendimentos anteriores e a morte da bebê.
Investigação deve esclarecer o que aconteceu
Com a morte da criança, a principal expectativa da família é que o laudo do SVO esclareça a causa do óbito e permita verificar se a evolução do quadro foi decorrente de uma condição clínica ou se houve alguma falha no atendimento.
A investigação também deverá esclarecer a sequência dos procedimentos realizados desde a chegada da bebê à UPA Tito Lopes até a transferência para o Hospital Tide Setubal.
Enquanto o laudo não for concluído, a acusação de negligência permanece como alegação da família, sem confirmação pelas autoridades. O resultado da perícia será fundamental para determinar as circunstâncias da morte e orientar eventuais medidas administrativas ou judiciais.
A morte da bebê ocorreu na terça-feira (11 de agosto de 2026), e o caso segue em investigação.
Fonte: Terra e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 14/08/2026/08:18:03
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