Apreensão de 4t de cocaína pelos EUA e celular de empresário levaram à prisão de MC Ryan e Poze do Rodo; entenda

MC Ryan SP e MC Poze do Rodo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Investigações apontam que o grupo estruturou um sistema de ocultação e dissimulação de recursos com operações financeiras de alto valor

Operação Narco Fluxo: MCs Presos por Lavagem de Dinheiro no Tráfico

A Operação Narco Fluxo prendeu MC Ryan e MC Poze do Rodo, entre outros, por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico internacional de drogas. A investigação revelou ocultação de recursos ilícitos usando empresas de fachada, criptoativos e influenciadores digitais. A operação mobilizou mais de 200 agentes e resultou em 33 prisões e bloqueio de R$ 1,63 bilhão em bens.

Em uma festa dentro de um condomínio de luxo na Riviera de São Lourenço, bairro nobre em Bertioga, no litoral paulista, um dos principais nomes do funk nacional foi surpreendido por agentes da Polícia Federal na manhã de ontem. A cena da prisão de MC Ryan SP marcou a Operação Narco Fluxo, deflagrada para desarticular uma associação criminosa suspeita de movimentar recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de empresas, publicidade digital, criptoativos, apostas on-line e rifas virtuais.

A ação resultou na prisão de artistas famosos e influenciadores digitais apontados como integrantes do esquema, entre eles o MC Poze do Rodo, o influenciador e empresário Chrys Dias e sua mulher, Débora Vitoria Paixão Ramos, e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. As diligências ocorreram em oito estados e no Distrito Federal, mobilizando mais de 200 agentes para cumprir 84 ordens judiciais — sendo 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária — expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos. Até o fim do dia, 33 prisões haviam sido efetivadas.

As investigações apontam que o grupo estruturou um sistema de ocultação e dissimulação de recursos com operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e uso de ativos digitais. Segundo a PF, artistas e perfis com milhões de seguidores eram usados para dar aparência de legalidade a recursos provenientes do crime e ampliar a circulação financeira do esquema. Parte do capital investigado tem origem no tráfico internacional de drogas.

Conexão com o tráfico

A prisão de MC Ryan SP marca o capítulo mais recente de uma apuração que começou em 2023, com a apreensão de um celular durante uma ação contra o tráfico marítimo de drogas. O aparelho pertencia ao empresário do setor contábil Rodrigo de Paula Morgado, personagem que se tornaria peça central na investigação ao conectar o narcotráfico internacional a empresas de fachada, criptoativos e plataformas de apostas.

O ponto de partida da apuração remonta à interceptação, pela Marinha dos Estados Unidos, do veleiro Lobo VI em alto-mar, entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias, carregando mais de quatro toneladas de cocaína. A apreensão deu origem à Operação Narco Vela, que mirou uma organização dedicada ao envio de drogas para a África e a Europa por meio de rotas marítimas planejadas e embarcações de alto padrão. Entre os investigados estavam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), como Levi Adriani Felício, o “Mais Velho”, e Rodrigo Felício, o “Tico”.

Operação da PF contra transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão prende MC Ryan SP e Poze do Rodo — Foto: Reprodução / TV Globo
Operação da PF contra transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão prende MC Ryan SP e Poze do Rodo — Foto: Reprodução / TV Globo

Durante essa fase, a Polícia Federal apreendeu o celular de Morgado e descobriu sua atuação como contador de empresas ligadas à aquisição de embarcações utilizadas no tráfico marítimo. A partir daí, as investigações avançaram para a Operação Narco Bet, deflagrada em outubro de 2025, que passou a apontá-lo como possível operador logístico-financeiro de um esquema transnacional de lavagem de capitais. Segundo a PF, ele teria aberto dezenas de empresas em parceria com jovens moradores de comunidades de difícil acesso, muitas com endereço inexistente e documentação suspeita. Todas tinham sede formal no mesmo coworking do qual era o único sócio. O esquema identificado nessa fase movimentou R$ 313 milhões em cinco anos, além de operações com criptoativos próximas de R$ 100 milhões.

Caixa-preta na nuvem

O rumo das investigações mudou após autorização judicial para acesso ao armazenamento em nuvem vinculado ao empresário. O material foi descrito pelos investigadores como a “caixa-preta” do esquema. O cruzamento dos arquivos com Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf revelou uma organização criminosa autônoma dedicada a captar, custodiar e redistribuir recursos oriundos de apostas ilegais, com MC Ryan SP como líder e beneficiário econômico da engrenagem.

Segundo a PF, o grupo usava produtoras musicais e empresas de entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais, rifas digitais e tráfico. Também recorria a processadoras de pagamento, contas de passagem, empresas de fachada e “laranjas”. Para dificultar o rastreamento, realizava centenas de transferências fracionadas — técnica conhecida como “smurfing” — e empregava criptomoedas, especialmente USDT (Tether), para remessas internacionais e ocultação patrimonial.

Mandados são cumpridos em nove estados e apuram movimentação superior a R$ 1,6 bilhão - Colar com imagem de Pablo Escobar e armas foram apreendidos pela PF contra MC Ryan SP e MC Poze do Rodo — Foto: Divulgação/PF
Mandados são cumpridos em nove estados e apuram movimentação superior a R$ 1,6 bilhão – Colar com imagem de Pablo Escobar e armas foram apreendidos pela PF contra MC Ryan SP e MC Poze do Rodo — Foto: Divulgação/PF

O delegado regional de Polícia Judiciária Marcelo Maceira afirmou que a escolha de artistas e influenciadores era estratégica: a grande visibilidade e a intensa movimentação financeira facilitariam operações sem alerta imediato de sistemas de compliance bancário. O dinheiro ilícito, segundo ele, era apresentado como pagamento por publicidade, permitindo a aquisição de bens de luxo e a ostentação nas redes sociais.

Empresário de Ryan e influenciador, Chrys Dias é apontado como financiador relevante, responsável por transferir recursos de rifas digitais para empresas ligadas ao funkeiro. No núcleo dos influenciadores digitais, a operação alcançou Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, preso em Goiânia. Segundo a investigação, ele é apontado como operador de mídia do grupo, responsável por divulgar conteúdos favoráveis aos artistas investigados, promover plataformas de apostas e rifas e atuar na mitigação de crises de imagem nas redes sociais. O perfil reúne mais de 27 milhões de seguidores.

Outro nome de destaque entre os acusados de associação criminosa é MC Poze do Rodo, que foi preso em sua residência, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.

Nas buscas, foram apreendidos veículos de alto padrão — incluindo modelos de Porsche, Land Rover e BMW —, relógios Rolex, bolsas de grife, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos e armas, entre elas pistolas e um fuzil. Também foi encontrado um colar com a imagem do narcotraficante Pablo Escobar. A Justiça determinou bloqueio e sequestro de bens, valores, criptoativos e veículos. O montante bloqueado chegou a R$ 1,63 bilhão, valor correspondente ao fluxo financeiro indevido identificado ao longo da investigação.

Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Natural de São Paulo, MC Ryan SP tem 25 anos, milhões de reproduções nas plataformas digitais e mais de 15 milhões de seguidores no Instagram. Ficou conhecido por músicas como “Revoada Sem Você”, “Favela” e “Vergonha Para Mídia”, associadas ao estilo ostentação. Nos últimos anos, envolveu-se em episódios polêmicos, como a prisão após manobras com uma Lamborghini no gramado do Estádio Barão da Serra Negra, em Piracicaba, com pagamento de R$ 1 milhão de fiança; a divulgação de vídeo de agressão à ex-namorada, que levou à perda de contratos comerciais; abordagens policiais por excesso de velocidade; a ausência em show no Rock in Rio, que resultou no cancelamento de uma honraria da Câmara do Rio; e a repercussão internacional ao publicar imagens dentro da mansão de Cristiano Ronaldo em Portugal durante obras no imóvel.

Defesas

Em nota, a defesa de MC Ryan afirma não ter acesso ao processo, que todas as transações têm origem comprovada e que os tributos foram recolhidos. A defesa de MC Poze do Rodo declarou desconhecer os autos e informou que se manifestará após acesso ao mandado. A GR6, empresa de Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, também alvo de mandado de prisão, afirmou que as transações citadas são lícitas, formalizadas e documentadas. A defesa de Raphael Sousa sustenta que ele não integra organização criminosa e atua apenas com publicidade digital.
Fonte: Jornal Folha do Progresso e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 15/04/2026/14:23:18

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