Após 34 dias de manifestação, indígenas desocupam porto de Santarém

Indígenas iniciaram a desocupação da área do porto da Cargill, em Santarém, no oeste do Pará, após mais de um mês de mobilização contra o Decreto 12.600, que previa estudos para concessões de hidrovias em rios da Amazônia.

Durante cerca de 34 dias, os manifestantes montaram acampamento na área de acesso ao terminal. Foram instaladas tendas, cozinhas improvisadas e barreiras que impediram a entrada de caminhões e o funcionamento regular do porto. Em um dos momentos de maior tensão, um grupo chegou a ocupar a área administrativa da empresa.

Desmontagem do acampamento

Na manhã desta quarta-feira (25), o cenário foi diferente no porto. As barracas começaram a ser desmontadas, estruturas improvisadas foram retiradas e o acesso à área passou a ser gradualmente normalizado.

“Depois de muita luta, desde o dia 22 de janeiro, estivemos aqui em defesa do Tapajós e da nossa vida para revogar esse decreto 12.600, que para nós é arbitrário e inconstitucional. Decidimos ocupar esse espaço para chamar a atenção do governo”, afirmou o cacique Gilson Tupinambá.

O cacique destacou que a permanência no local ocorreu por necessidade. “A gente ficou aqui esses 34 dias porque houve necessidade. Agora estamos desmontando o acampamento para voltar para o nosso território, que é onde a gente quer viver”, disse.

O movimento também reforçou a cobrança por mais diálogo antes de qualquer medida que afete povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas da região.

Com o início da desocupação, a expectativa é que a área seja totalmente liberada nas próximas horas, encerrando uma das mais longas mobilizações indígenas já registradas no Baixo Tapajós.

O que previa o decreto

Editado em agosto de 2025, o Decreto 12.600 incluía empreendimentos públicos federais do setor hidroviário no Programa Nacional de Desestatização. O texto autorizava estudos para concessões à iniciativa privada e intervenções, como dragagem e operação, em trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

O Rio Tapajós já é utilizado para o escoamento de grãos. Setores do agronegócio defendem a dragagem para garantir a navegação de grandes embarcações durante o período de seca. Já indígenas e comunidades tradicionais apontavam riscos ambientais e sociais, além de criticarem a ausência de consulta prévia, livre e informada, como prevê a Convenção 169 da OIT.

A revogação foi anunciada pelo governo federal após reuniões com lideranças indígenas. O ato foi assinado pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, durante viagem internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 25/02/2026/14:41:59

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