Alerta vermelho para a saúde feminina: cardiopatias matam mais que câncer

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil e afetam mulheres em todas as fases da vida, da juventude à velhice, muitas vezes de forma silenciosa. No Pará, a hipertensão, a cardiopatia isquêmica após a menopausa e as complicações decorrentes da febre reumática estão entre as condições mais frequentes no público feminino. Para ampliar o debate sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado, a entidade realiza o Simpósio Paraense de Cardiopatia nas Mulheres, com foco nos riscos específicos em cada etapa da vida feminina.
Conforme o presidente da Sociedade Paraense de Cardiologia (SBC-PA), Rodrigo Souza, a cardiopatia é toda e qualquer doença que afeta o coração, seja originada no próprio órgão ou secundária a outra condição pré-existente. Entre elas estão a miocardiopatias, que afetam o músculo cardíaco; a cardiopatia hipertensiva, consequência da hipertensão arterial; cardiopatia isquêmica, que envolve doenças nas artérias coronárias do coração, diminuindo o fluxo sanguíneo; miocardiopatia de origem genética; a cardiopatia do periparto e até consequências de doenças autoimunes, como é o caso do lúpus.
“Na nossa região, as cardiopatias que mais acometem mulheres são a cardiopatia hipertensiva, que tem uma incidência muito alta em toda a população. A cardiopatia isquêmica em mulheres, que costuma aparecer em idade tardia, pós-menopausa, quando ela perde a proteção do hormônio estrogênio e aumenta o risco de desenvolver esse tipo de condição”, revela o médico.
Em terceiro lugar, a febre reumática, caracterizada pelo surgimento de infecções repetitivas, como inflamações de garganta, especialmente na adolescência, pode causar o comprometimento da válvula mitral, especialmente em mulheres. Localizada entre o átrio e o ventrículo esquerdos do coração, a estrutura permite a passagem do sangue e impede o retorno durante a contração ventricular.
“Temos também uma incidência alta de febre reumática, que causa o comprometimento da válvula mitral por uma doença reumatológica. Isso pode, eventualmente, levar a uma migração de bactérias para o coração e causar um dano permanente nesta válvula, especialmente a estenose da válvula [estreitamento anormal de uma passagem]. A gente encontra isso principalmente em mulheres jovens”, complementa o cardiologista.
SIMPÓSIO
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC-PA) realizará o Simpósio Paraense de Cardiopatia nas Mulheres, no próximo dia 07 de março, sábado. O evento tem o objetivo de discutir os principais desafios relacionados às doenças cardiovasculares no público feminino, com enfoque na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Segundo o doutor Rodrigo Souza, o evento foi estruturado a partir das três maiores fases da vida feminina: a idade fértil, durante a gravidez e após a menopausa. Em cada um desses momentos, as mulheres apresentam riscos de patologias distintas relacionadas às doenças do coração. “Uma mulher jovem, em idade fértil, a preocupação maior é a hipertensão arterial, alterações de colesterol e triglicerídeos, e as alterações valvares, principalmente ligada a febre reumática”, aponta.
“Durante a gravidez, as mulheres devem ficar alerta para a Doença Hipertensiva Específica da Gestação, a diabetes gestacional e alterações da tireoide. Já na menopausa, o maior risco já estaria relacionado às doenças isquêmicas do coração, doenças das artérias coronárias. Até a menopausa, com a produção do hormônio estrogênio, as mulheres têm uma maior proteção cardiovascular. A partir da menopausa o risco cardiovascular iguala aos homens, que têm de três a cinco vezes maior chance de um infarto ou AVC”, alerta o médico.
Com expectativa média de vida maior do que os homens, na velhice, as mulheres têm mais riscos de desenvolver a fibrilação atrial a partir dos 70 anos, além de quadro de Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Porém, se essa mulher tiver uma doença genética, ela pode se manifestar em qualquer uma dessas fases da vida”, revela o doutor Rodrigo.
DIAGNÓSTICO
De acordo com dados do Cardiômetro, criado pela SBC-PA, as doenças cardiovasculares, afecções do coração e da circulação representam a principal causa de mortes no Brasil. São mais de 1,1 mil mortes por dia, cerca de 46 por hora, 1 morte a cada 90 minutos. As doenças cardiovasculares são responsáveis pelo dobro de mortes em relação aquelas relacionadas a todos os tipos de câncer juntos, e mais de 2 vezes mais do que acidentes e violência. Por ano, são estimados que quase 400 mil cidadãos morrerão por doenças cardiovasculares.
“Um dos grandes problemas das doenças cardíacas é que a maioria delas tem o início insidioso e assintomático. Ao longo de ano, se já tem a doença, mas por não ter nenhuma manifestação clara, as pessoas ignoram seja porque é jovem e vai menos ao médico ou pela rotina de trabalho intensa. Muitas vezes, essas doenças, quando se manifestam já são quartos mais graves, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca pela doença valvar, ou arritmia pelo aumento do átrio esquerdo, isso favorece o aparecimento da arritmia precocemente”, disse o presidente da SBC-PA.
O cardiologista alerta: é importante procurar por acompanhamento e diagnóstico precoce e fazer check-up cardiológico anual a partir de 40 anos de idade para todos os públicos. Em caso de histórico familiar de doença do coração, o paciente deve começar o acompanhamento ainda mais cedo, por volta dos 35 anos. O diagnóstico se dá a partir de exames de rotina simples, como aferição de pressão arterial e avaliações física e clínica.
“Se você aguardar ter algum sintoma para fazer avaliações, pode ser tarde demais. Por mais que você não tenha nenhum problema de saúde visível, o ideal é que você comece a fazer investigações. É bastante importante fazer avaliações periódicas. As mulheres procuram, primordialmente, um ginecologista para fazer um acompanhamento, que pode, inclusive, detectar um sopro cardíaco, alteração de pressão arterial, colesterol e triglicerídeos. Uma avaliação clínica e física e uma aferição de pressão bem feitas podem sugerir alguma condição no coração”, explica.
O evento
O Simpósio Paraense de Cardiopatia na Mulher, promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – Regional Pará, será realizado no dia 7 de março, no Hotel Vila Galé (av. Marechal Hermes), de 8h às 13 horas.O evento reunirá especialistas para discutir os principais desafios das doenças cardiovasculares no público feminino, com foco em prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e redução da mortalidade por problemas cardíacos em mulheres.
As inscrições podem ser realizadas pelo link: https://www.even3.com.br/simposio-paraense-de-cardiopatia-na-mulher-685649/
Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/03/2026/14:53:23
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