12 anos depois, trabalhadores de Serra Pelada têm acordo milionário na Justiça

Uma disputa trabalhista que se arrastava há cerca de 12 anos ganhou um novo capítulo na Justiça do Trabalho e resultou em um acordo milionário envolvendo trabalhadores de Serra Pelada, em Curionópolis, no sudeste do Pará. Durante a Semana de Execução Trabalhista, realizada entre os dias 14 e 18 de setembro, a 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas homologou um acordo que beneficia 44 trabalhadores.

O valor inicialmente firmado chega a R$ 4 milhões. Após a aplicação do deságio previsto na negociação, a quantia que será efetivamente paga aos trabalhadores ficou estabelecida em R$ 2.723.864,01, dividida em parcelas.

O acordo envolve a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada, que operacionaliza o empreendimento minerário em nome da Tectônicas Mineração Ltda. A empresa assumiu responsabilidade solidária pelo pagamento integral da dívida trabalhista, condição que permitiu a continuidade das negociações e a construção de uma nova solução para os processos.

Segundo o juiz do trabalho Albeniz Martins e Silva Segundo, titular da 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas e responsável pela homologação, o entendimento representa mais um avanço na tentativa de solucionar os conflitos relacionados à histórica atividade de Serra Pelada.

“A construção de uma nova solução consensual demonstra que, mesmo diante de conflitos prolongados e de elevada complexidade, o diálogo permanece como instrumento capaz de produzir resultados concretos e efetivos”, afirmou o magistrado.

Tectônicas assume dívida e poderá operar empreendimento

Um dos pontos centrais do acordo é a entrada da Tectônicas Mineração Ltda., que passa a responder solidariamente pelo pagamento integral dos valores reconhecidos no processo. Em contrapartida, a empresa poderá atuar como operadora do empreendimento minerário.

A decisão da Justiça do Trabalho, porém, faz uma ressalva importante: a homologação do acordo não autoriza, por si só, a exploração mineral em Serra Pelada.

Qualquer atividade de mineração continua condicionada à obtenção das licenças, autorizações e demais exigências legais dos órgãos competentes.

Pagamentos começam em até 30 dias

Com a homologação, os 44 trabalhadores passam a ter definido o cronograma para receber os valores reconhecidos judicialmente.

A primeira parcela deverá ser paga em até 30 dias a partir da homologação do acordo. Também foram estabelecidas duas parcelas semestrais, previstas para abril e novembro de 2027, além de outras 48 parcelas, com valores já definidos no processo.

O novo acordo dá sequência a uma série de medidas para tentar colocar fim a antigas disputas trabalhistas relacionadas aos trabalhadores de Serra Pelada, um dos capítulos mais marcantes da história da mineração no Pará.

Serra Pelada: ouro, multidão e queda

A corrida pelo ouro transformou Serra Pelada, no sul do Pará, em um dos lugares mais movimentados do Brasil no início dos anos 1980. Em busca da fortuna, mais de 100 mil homens chegaram à região, que rapidamente se tornou o maior garimpo a céu aberto do mundo.

O auge ocorreu em 1983, quando cerca de 100 mil garimpeiros se amontoavam na enorme cratera aberta à mão. Naquele ano, foram retiradas aproximadamente 14 toneladas de ouro. Ao longo de uma década, a produção chegou a 42 toneladas.

A riqueza, porém, não durou. Com a queda da produção, Serra Pelada perdeu força rapidamente. Em 1990, menos de 250 quilos de ouro foram extraídos. Dois anos depois, o garimpo foi oficialmente desativado.

Hoje, a gigantesca cratera, com cerca de 180 metros de profundidade e cheia de água, é o principal vestígio de uma época em que milhares de homens chegaram ao Pará atrás de uma única promessa: encontrar ouro e mudar de vida.

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 22/09/2026/07:10:45

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